Economia
Microcr�dito tem R$ 8 mi para pequenas empresas
PATRYCIA MONTEIRO O governo de Alagoas instituiu o Fundo de Microcrédito do Estado (Funcred) com 8 milhões reais disponíveis em caixa ontem, no Diário Oficial. O anúncio veio no mesmo dia em que tomou posse Nelson Nascimento, novo secretário extraordinário, responsável pelos recursos financeiros direcionados ao crédito solidário do Estado. Parte desse dinheiro será dirigido para o Banco Cidadão, programa criado há um ano e meio que visa conceder empréstimos para pequenos prestadores de serviços, feirantes, artesãos e microcomerciantes que, por não terem condições de oferecer garantias, não conseguiriam crédito em instituições financeiras privadas. ?Ainda não sabemos qual vai ser a nossa parte nesse novo montante?, diz Pedro Verdino, presidente do conselho de administração do Banco Cidadão. ?Mas, independentemente de valores, sabemos que iremos investir na expansão do projeto para o interior do Estado?, explica, ressaltando que até o fim do mês serão implantadas duas unidades de negócios nos municípios de Arapiraca e São Miguel dos Campos. O lançamento oficial veio em boa hora. Pois, desde a resolução 3.109 do governo federal, do dia 24 de julho de 2003, cresce a procura por crédito pelo segmento de baixa renda em todo o país. Pessoas com dificuldades, como a ambulante Maria Aparecida Mendes Moreira, 42, que hoje obteve seu primeiro cheque no Banco Cidadão, para adquirir um carrinho exigido pela Prefeitura de Maceió, que quer padronizar o comércio informal no centro da cidade. ?O movimento está fraco. Se tivesse que contar com meus rendimentos não poderia fazer essa compra. Por isso, um pessoal da cooperativa formou um grupo e juntos conseguimos levantar o dinheiro?, conta. Faturando cerca de R$ 12 por dia, ela não tinha poupança e seus títulos estão protestados. De posse dos R$ 300 solicitados, Maria Aparecida vai pagar a dívida em dez prestações de R$ 38,65. ?O microcrédito é, entre as políticas públicas de geração de emprego e renda, a que tem se apresentado como a alternativa de melhores resultados em todas as economias periféricas?, diz o economista Cícero Péricles, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Ele supera um dos grandes dilemas do universo popular que é o acesso ao crédito bancário, eliminando as burocracias?, afirma, ressaltando a agilidade do processo e a importância da figura do agente de créditos responsável pela orientação e acompanhamento desses clientes. Baixa renda Embora os devedores de baixa renda sejam conhecidos bons pagadores, a atuação desses agentes garantem o baixo índice de inadimplência das instituições de crédito solidário. No Banco Cidadão, a taxa é 3% de inadimplentes. No Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a maior instituição bancária a conceder créditos solidários no Cone Sul, o índice é de apenas 1%. O Banco do Nordeste, a propósito, já tinha linha de crédito para os pequenos há seis anos. Com a resolução federal do ano passado, o banco apenas diminuiu sua taxa de juros que era de 3,08% ao mês para 2%. E a mudança foi bem sucedida. ?O número de operações de crédito cresceu 15% aqui no Estado, totalizando R$ 12 milhões em créditos?, diz Carlos Campos, gerente de Microcrédito em Alagoas falando dos resultados relativos ao primeiro trimestre. Com cinco anos de existência, os empréstimos concedidos no Estado já somam cerca de R$ 76 milhões. O Estado, embora seja o lanterninha na região nordestina em quantidade de operações efetivas, com 91 transações, é um dos que mais efetiva crédito em termos proporcionais. Em Alagoas, existem nove unidades de negócios, sendo que duas estão na capital e sete estão nas cidades de Arapiraca, Batalha, Mata Grande, Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema e União dos Palmares. No Estado, além do Banco do Nordeste e do Banco Cidadão, não há outros bancos que concedam empréstimos populares voltados para o crédito produtivo. Duas ONGs atuam nessa área. Uma é a Visão Mundial, uma entidade religiosa que tem um programa chamado ProMicro e atua no interior e na Vila Brejal, em Maceió. A outra é o Amicred que está desenvolvendo um trabalho junto às famílias dos menores beneficiados pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Apesar de diferirem nas taxas de juros cobradas, no Banco Cidadão a taxa é de 3% ao mês, o modo de operar dos bancos e o perfil de seu cliente são muito semelhantes. Cerca de 70% dos clientes têm renda mensal de até três salários mínimos e, a grande maioria, algo em torno de 20%, tem o nível de escolaridade concluída até o ensino fundamental. No Banco Cidadão, 95% pedem empréstimo para obter capital de giro para tocar seus salões de beleza, borracharia, confecções, padarias, lojinhas, por exemplo. Os outros 5% lançam mão do dinheiro para investir no capital fixo de seus negócios, utilizando-o para fazer aquisições de máquinas e equipamentos para o desenvolvimento das atividades. Alguns utilizam o crédito para os dois fins. Para cada linha de financiamento é estabelecido o prazo de pagamento que varia de 6 a 12 meses. Quem promete entrar nesse nicho de mercado em Alagoas é o Banco do Brasil, através de subsidiária chamada de Banco Popular do Brasil. No país, o microcrédito da instituição financeira oficial está em operação na Bahia e em São Paulo. Estão previstos 59 postos de atendimentos no Estado até o fim do ano. Como crédito produtivo, os empréstimos vão ficar para 2005.