Economia
Caranguejo some e piora economia do mangue
FÁBIA ASSUMPÇÃO Praticamente todos os dias, José Maciel da Silva, 25, espera a maré baixar para entrar nos mangues que rodeiam a Lagoa Manguaba e sair em busca de caranguejos uçá. É essa atividade que há 12 anos garante o sustento dele e de toda a família, composta por oito pessoas. Como Maciel, centenas de pessoas que moram às margens das lagoas Mundaú e Manguaba garantem a sobrevivência com a pesca de caranguejo. Essa atividade, no entanto, pode estar com os dias contados, por causa da pesca predatória dos crustáceos com o uso de redinhas e comercialização das fêmeas em período de desova. Se isso continuar acontecendo, o caranguejo uçá pode ter o mesmo destino do guaiamum, que desapareceu por completo de Alagoas. Hoje, todo os caranguejos tipo guaiamum encontrados nos bares e restaurantes de localidades como Massagüeira vêm da Bahia. Cativeiro Uma portaria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proíbe, anualmente, no período de 1 ° de dezembro a 31 de maio, a manutenção em cativeiro, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização de fêmeas do caranguejo uçá. O coordenador do Setor de Fiscalização da Gerência do Ibama, em Alagoas, Eduardo Toledo, explica que falta definir uma portaria sobre a proibição da pesca dos caranguejos no período de ?andada?, quando eles saem de seus esconderijos para reprodução e viram uma presa fácil. Após o acasalamento, a massa de ovos é carregada sob o abdome da fêmea, externamente. A desova é feita na água, coincidindo com as maiores marés em dias de lua cheia ou nova. Assim, as larvas são carregadas para o oceano na vazante e aproveitam as águas mais salinas, ideais para o seu desenvolvimento, ficando adultas aos 10 ou 12 meses. Toledo explicou que outro problema que afeta a sobrevivência dos caranguejos é a retirada de suas patas. ?Sem elas, os caranguejos não conseguem sobreviver?. A presidenta do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Sandra Menezes, explica que as secretarias municipais de Meio Ambiente de Maceió e de Marechal Deodoro vêm fazendo um trabalho educativo para que as fêmeas dos caranguejos não sejam comercializadas. ?Só que é preciso o apoio da população. É preciso que ela entenda que pegando as fêmeas, elas estarão acabando com o seu próprio meio de sobrevivência?, alerta. Verão O verão é a melhor época para as pessoas que vivem da venda do caranguejo. José Maciel diz que chega a vender 30 cordas com dez caranguejos, cada uma a R$ 6,00, e tira uma média de R$ 380,00. Nessa época do ano, quando fica mais difícil encontrar caranguejo, esse lucro cai para R$ 180,00. A venda das cordas de caranguejo é feita à margem da rodovia AL-101, uma das mais movimentadas durante o período da alta estação turística. E são exatamente os turistas quem mais procuram o produto.