Economia
SETOR DE DISTRIBUIÇÃO APRESENTA CRESCIMENTO DURANTE PANDEMIA EM AL
Levantamento mostra que no ano passado, todas as empresas do setor no Estado registraram um faturamento de 4,1 bilhões de reais
O setor de distribuição é o que mais cresce em Alagoas. O relatório da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), com o Ranking anual para 2021 das maiores empresas por Estado, revela que metade das empresas alagoanas (49) declararam o faturamento com crescimento. Atualmente, segundo a Associação do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Alagoas (Acadeal), é o setor de maior receita na economia alagoana e o maior pagador de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) do Estado.
Os dados do relatório da Abad, conforme o professor e economista Cícero Péricles, mostram que oito distribuidoras tiveram uma receita entre R$ 100 milhões e R$ 842 milhões; nove se apresentaram com um faturamento maior que R$ 50 milhões, até 91 milhões de reais; 20 empresas com mais de R$ 10 milhões, até 47 milhões de reais; e 12 distribuidoras com valores menores que 10 milhões de reais.
Em 2020, essas empresas apresentaram um faturamento de 4,1 bilhões de reais. Caso computasse a outra metade das empresas, poderia ultrapassar os R$ 6 bilhões. Esse setor, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), teve suas vendas aumentadas de forma constante em todos os meses da pandemia.
“No cenário da pandemia, as empresas distribuidoras não sofreram as restrições de outros setores econômicos, e toda a rede de varejo foi abastecida pelo setor atacadista. O crescimento do setor distribuidor está relacionado às medidas de estímulo à economia, como o Programa Emergencial de Emprego e Renda que, no ano passado, realizou 200 mil contratos de redução da jornada de trabalho com a manutenção do posto de trabalho e mais 45 mil contratos este ano; as linhas emergenciais de crédito, que beneficiaram milhares de empresas e, principalmente, o Auxílio Emergencial, que ampliou, em muito, a renda habitual dos alagoanos, vinda dos salários e das aposentadorias. O Auxílio Emergencial colocou R$5,4 bilhões nas mãos de 1,2 milhão de pessoas no ano passado e mais R$1 bilhão, este ano, para um público de 717 mil alagoanos. Este dinheiro foi todo para o consumo, principalmente no varejo. Neste cenário favorável, o setor atacadista, evidentemente, manteve seu ritmo de atividade”, explica Cícero Péricles. José de Souza Vieira, presidente da Acadeal, diz que o setor de distribuição em Alagoas é o núcleo mais dinâmico da economia alagoana, capaz de, simultaneamente, atender à demanda dos milhares pontos de vendas do varejo em todas as localidades, concorrer com as empresas de outros estados, e ampliar sua atuação nos estados de Pernambuco, Bahia e Sergipe. “O setor atacadista alagoano soube aproveitar o ‘boom do consumo’ nas duas últimas décadas, cresceu, modernizou-se e ficou no topo da pirâmide da rede comercial. Atualmente, as empresas distribuidoras formam um importante canal de comercialização que cumpre um papel organizador no varejo estadual, com uma grande estrutura de importação de mercadorias de amplo consumo, como são os produtos industrializados, a exemplo das bebidas e alimentos da agroindústria, material de limpeza e higiene pessoal, remédios, vestuário e calçados, material de construção, ou mesmo alimentos vindos diretamente da agricultura”, disse o presidente da Acadeal. Péricles diz que a linha que separa a rede distribuidora do setor varejista é muito tênue. Os atacadistas mantêm com o varejo popular uma parceria, na busca da fidelização, que inclui, além do abastecimento regular, uma relação de fornecimento de crédito, algumas facilidades nos pagamentos, a assistência técnica e outros aspectos que aproximam os dois segmentos para o mesmo objetivo, que é vender mais para o público consumidor.