Economia
Nervosismo do mercado eleva d�lar a R$ 3,14
Investidores do mercado de câmbio encontraram todos os motivos para trazer, ontem, a volatilidade para os negócios com o dólar. Internamente, muitos agentes pressionaram a cotação da moeda para formação da taxa média do câmbio no dia. A chamada Ptax de ontem será utilizada para o resgate dos US$ 707 milhões da dívida cambial que vence hoje. Mais US$ 2,064 bilhões com prazo no próximo dia 19 serão resgatados integralmente, conforme o Banco Central (BC) anunciou. Além da dívida, a aprovação do projeto que acaba com a assinatura básica cobrada pelas empresas de telefonia fixa na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados derrubou as ações das empresas de telefonia fixa. A reação da medida não ficou limitada à Bovespa, cujo índice principal caiu 1,14% para 18.325 pontos. ?Muitos investidores são estrangeiros e venderam suas ações do setor e compraram dólares (para enviar aos países de origem)?, avalia Reinaldo Bonfim, sócio da corretora Pioneer. Pela manhã, o dólar caiu a até R$ 3,069 por causa do fluxo externo, mas logo a tendência foi revertida e a moeda encerrou cotada a R$ 3,14, acumulando alta de 2,08% no dia. À tarde, chegou a valer R$ 3,155, maior cotação desde 15 de abril do ano passado. Para Bonfim, da Pioneer, o mercado continuará volátil e o dólar pode subir ainda mais, com investidores à espera de novos indicadores americanos. O índice de inflação no atacado (PPI, pela sigla em inglês) será divulgado amanhã, e a do consumidor (CPI, idem), na sexta. O Departamento de Comércio dos EUA divulgou, também, a balança comercial de março: as exportações cresceram menos (2,6%) do que as importações (4,6%). O aumento das importações também fornece dados da recuperação econômica dos EUA ao mercado e eleva o temor de inflação. A resposta a isto e à elevação do déficit pode ser uma intensificação da alta das taxas de juros pelo FED já em junho. ?O país está importando mais e já há um temor de que a puxada de juros seja de 0,5 ponto em junho?, cita o responsável pela mesa de derivativos do banco holandês Rabobank, Jorge Kattar. Risco-país O risco-país ficou em alta de 3,49%, a 769 pontos, tendo caído a 738 mais cedo. O anúncio do governo chinês de que pretende reduzir o crescimento, dos atuais 9%, para 7%, ao ano também pode prejudicar as empresas exportadoras brasileiras. Segundo o estrategista da consultoria Global Invest, Paulo Gomes, as pressões devem continuar até a semana que vem, pelo menos. O maior fator de peso, para ele, foi a não rolagem da dívida cambial. ?O governo decidiu não rolar a dívida em um mercado que demanda por hedge (proteção) em câmbio. Essa notícia diminui a oferta doméstica de dólares no mercado?, diz.