Economia
V�ndalos destroem 1.500 orelh�es por m�s em AL
FÁBIA ASSUMPÇÃO Os atos de vandalismo contra telefones públicos, os chamados orelhões, geraram um prejuízo de cerca de R$ 250 mil para a Telemar só nos primeiros quatro meses deste ano. Pelo menos 1.500 telefones são destruídos por mês, em todo o Estado, e uma média de 600 só no município de Arapiraca. O gerente-geral da Telemar em Alagoas, Newton José de Lima Barreto, afirma que a quebra de aparelhos, além de fraudes no uso de telefones públicos, acarreta custos à empresa de cerca de R$ 150 mil por mês. ?Alagoas tem hoje um dos mais altos índices de vandalismo entre os 16 estados de abrangência da Telemar?. O Estado ocupa a terceira colocação, ficando atrás apenas dos estados do Rio de Janeiro e Bahia. Para o gerente-geral da empresa, o prejuízo maior, no entanto, é para a própria comunidade que fica sem o serviço. Cemitério Na Serraria existe um verdadeiro cemitério de ?orelhões?. São mais de 3.500 protetores de telefones públicos que foram alvo de pichadores ou arrebentados com chutes, pontapés, machados e até tiros. Pelo menos 500 deles não terão mais recuperação. Os demais serão levados para recuperação em oficinas especializadas localizadas em Aracaju, João Pessoa e Recife. Os vândalos não poupam nada do aparelho: teclados, protetores, sistemas de leitura, monofones, tudo é alvo de depredação. O auxiliar técnico da oficina credenciada pela Telemar para fazer o conserto dos aparelhos destruídos, Márcio Severo Bomfim, afirma que por dia dão entrada para conserto cerca de 150 aparelhos danificados. Só de monofones, são mais de 2.500 por mês. Em muitos casos, o caminho deles é o lixo, pois ficam completamente inutilizados. Em média, leva-se três para o conserto de cada aparelho. Segundo Márcio, quando não há possibilidade de conserto, os aparelhos são encaminhados para a Bahia. Na oficina trabalham 11 pessoas e nunca falta serviços para eles. Uma das medidas adotadas pela Telemar para evitar pelo menos a destruição dos monofones foi a colocação de cabos de aço. ?Colocamos inicialmente cabos de 300 quilos, mas eles eram arrancados. Agora, estamos usando um de 1.500 quilos?, explica Newton Barreto. Ele reconhece que o peso do cabo causa incômodo ao usuário, mas é a única maneira de evitar a destruição e o roubo dos monofones. ?A idéia é colocar esses cabos de aço em toda a nossa planta de TP (telefones públicos)?. O gerente de Engenharia da Telemar, José Raimundo, acrescenta que por dia de três a cinco aparelhos têm perda total. Em Alagoas existem instalados hoje 19.743 telefones públicos, sendo que nove mil deles em Maceió. Na capital, o índice de quebra de telefones pelos vândalos e fraudadores ? que usam de artifícios como alterar a leitura dos cartões telefônicos - chega a 12%. Depredação O que chama a atenção é que em municípios menores como Boca da Mata, Lagoa da Canoa e Atalaia o índice de destruição e fraudes no uso dos telefones públicos varia entre 50% e 60%. Em Maceió, a destruição dos ?orelhões? acontece em todas as áreas da cidade. Na periferia, bairros como Benedito Bentes, Jacintinho e Tabuleiro são considerados os mais críticos pelos técnicos da Telemar. Mas a situação não é diferente em áreas consideradas nobres como Jatiúca e Ponta Verde. ?Jatiúca é uma área bastante preocupante?, reconhece Newton. A ação dos vândalos e dos fraudadores também não faz distinção de classes sociais. Segundo o gerente-geral da Telemar, profissionais liberais, universitários e pessoas de alto poder aquisitivo já foram flagradas tentando usar indevidamente os telefones públicos. Newton acrescenta ser muito difícil um telefone público apresentar problemas, sem que haja uma interferência externa.