Economia
BC resiste a press�es e congela juros em 16%
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central resistiu às pressões e decidiu manter, ontem, a taxa de juros Selic em 16% ao ano. A decisão não foi unânime e contou com seis votos favoráveis à manutenção da taxa e outros três que defendiam uma redução de 0,25 ponto percentual. Foi a primeira vez desde fevereiro que a autoridade monetária decidiu interromper a trajetória de queda nos juros, que recuou em março e abril. A taxa de 16% ficará em vigor até o dia 16 de junho, quando o Copom voltará a se reunir para decidir novamente sobre os juros básicos da economia. Muitos economistas do mercado financeiro apostavam nessa decisão do BC, em razão do cenário mais adverso do mercado internacional. ?Dada a volatilidade recente, é recomendado que a autoridade monetária atue de forma prudente para evitar que essa volatilidade de curto prazo venha a ter efeitos duradouros sobre as variáveis domésticas, não justificáveis pelos sólidos fundamentos da economia?, informou o Copom em nota. A alta do preço do petróleo e da cotação do dólar, segundo alguns analistas, acabaria gerando uma preocupação de alta da inflação, o que faria o BC tomar uma decisão mais cautelosa com a manutenção da taxa. As razões que levaram o Copom a manter a taxa serão conhecidas na próxima quinta-feira, quando o BC divulga a ata da reunião. Petróleo e dólar O choque do preço do petróleo, o avanço do dólar e a previsão de alta do juro nos EUA motivaram o Banco Central a congelar o juro. A avaliação é do economista-chefe da consultoria Global Station, Marcelo de Ávila. ?A causa principal da manutenção da taxa de juro desta vez é o cenário externo, e não a inflação?, cita o analista. Para o economista, a decisão do Copom contraria o discurso do ministro Antonio Palocci (Fazenda) de que ?não há sinais de que o cenário externo venha a piorar?. Segundo o analista, a alta do dólar já mostra seus reflexos na inflação no atacado. O IGP-10 de maio, divulgado hoje, ficou em 1,24%, acima das expectativas do mercado. ?O espaço para que o Copom acelerasse a queda dos juros já se foi. A volta da trajetória de queda dependerá e muito da resposta do mercado à elevação dos juros americanos?, disse o analista. Para o economista da gestora de recursos Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, a interrupção dos cortes de juros foi ?o melhor a ser feito neste momento?. Ele esperava a manutenção da taxa. ?Como simplesmente fechar os olhos e desprezar neste momento a alta do dólar, a piora do risco-Brasil e a alta do petróleo??, questionou o analista.