Economia
Centro resgata moradias para �voltar � �poca de glamour
FÁBIA ASSUMPÇÃO O Centro de Maceió pode ganhar vida nova com a execução do Projeto de Requalificação do bairro. Um dos principais componentes do projeto será o incentivo à criação de novas moradias, utilizando espaços já existentes em sobrados, hoje abandonados ou subutilizados. E ainda com a construção de novos prédios em áreas onde edificações foram demolidas e deram lugar a estacionamentos ou estão simplesmente abandonados. Apesar do abandono a que esteve relegado durante anos, o Centro é ainda o maior centro de compras de Maceió, observa o coordenador da Agência de Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Planejamento, Leonardo Bittencourt. O Centro tem hoje mil empresas em funcionamento, que geram cinco mil empregos (cinco por empresas, em média). Só que nos últimos anos, mais de 200 empresas foram fechadas, deixando mil pessoas desempregadas. Com o Projeto de Requalificação, a expectativa é de abertura de 200 novas empresas, retomando os mil empregos perdidos, além de criação de 200 indiretos. Segundo Leonardo Bittencourt, com as intervenções que serão feitas no Centro - que inclui um novo sistema de iluminação - o comércio poderá funcionar até as 20 horas. A ocupação dos andares superiores dos prédios, hoje a maioria sem utilização, deverá servir para moradia ou outras atividades. Um levantamento feito pela Coordenação da Agência de Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Planejamento ? responsável pela elaboração do Projeto de Requalificação ? mostra que 15,73% dos prédios do bairro estão fechados e 0,76% abandonados. A maioria dos prédios, 56,42%, tem uso comercial e 10,21% funcionam instituições, como a Academia Alagoana de Letras (AAL), Instituto Histórico e Geográfico (IHGA), Biblioteca e Arquivo Público. Apenas 6,04 são habitações. Em toda área central, apenas 0,68% tem praças e áreas verdes; 3,9% são estacionamentos. O número de equipamentos culturais, como teatros e cinemas ? esses hoje sequer existem ? é de 0,17. E 1,73% dos prédios têm uso misto: servem tanto para atividades comerciais, como moradia. Leonardo Bitencourt diz que o projeto de Requalificação do Centro é bastante amplo e engloba recursos na ordem de R$ 50 milhões. Até agora, a prefeitura tem garantidos apenas R$ 5 milhões, incluídos no Orçamento Geral da União, fruto de uma Emenda da Bancada Federal de Alagoas. A expectativa dos técnicos que elaboraram o projeto para que ele tenha início é grande. Intervenção urbana A primeira etapa do projeto vai englobar a área entre a Rua do Comércio até a 1º de Março, passando pela Moreira e Silva até a Boa Vista, chegando até a Rua do Livramento. O Projeto de Requalificação constituiu num ampla e participativa intervenção urbana, com execução de projetos infra-estruturais, urbanísticos e sociais. O projeto inclui a construção de dois terminais de transbordo, na área da atual Ceasa e na antiga Praça da Cadeia ? em frente ao Quartel da PMAL. Com a retirada dos ônibus do Centro, toda Rua do Comércio vai se transformar num calçadão. Na semana passada, a coordenadora nacional do Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais da Caixa Econômica Federal, Beatriz Cerqueira, reuniu-se com o governador Ronaldo Lessa e técnicos da secretaria Municipal de Planejamento, em palácio, para dar início a um processo que pode levar à assinatura de um convênio entre o Ministério das Cidades, Estado, Prefeitura de Maceió e Caixa para execução do programa em Maceió. Segundo Beatriz, por meio do programa já foi contratada a construção de 1.500 moradias, em cidades como São Luiz, Recife e Salvador. As moradias foram feitas em sobrados antigos, instalados no Centro dessas cidades, com dois ou três pavimentos. Pelo programa, a Caixa entra com o financiamento para reforma e adaptação dos prédios. O banco só não financia a área que for para aproveitamento comercial. ?O custo dessas habitações é compatível com o custo do Programa de Arrendamento Familiar (PAR) com prestações que variam entre R$ 250,00 e R$ 450,00?. Segundo Beatriz, em Salvador mais de 2.500 pessoas se inscreveram no programa. ?Morar no Centro tem muitas vantagens, pois é perto do local do trabalho, de transporte, colégio?. O Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais, do Ministério das Cidades, tem como objetivo promover o uso e a ocupação democrática e sustentável das áreas urbanas centrais, proporcionando a permanência e a atração de população, a diversidade funcional e social, a identidade cultural, econômica e a qualidade ambiental, priorizando essas áreas dentro do sistema urbano.