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Industrializa��o n�o traz desenvolvimento

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PATRYCIA MONTEIRO Sempre que se fala em desenvolvimento, logo se imagina a chegada de grandes indústrias em uma determinada localidade e com ela a geração de muitos postos de trabalho diretos, sem mencionar os indiretos. Tem-se sempre em mente que os grandes investimentos trazidos por essas companhias atrairão novos investimentos de outras empresas, correto? Nem tanto, diria Ricardo Wahrendorff Caldas, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB). Contrário ao modelo desenvolvimentista do economista Celso Furtado, Caldas acredita que é na descoberta das vocações regionais que podem estar as respostas para o Desenvolvimento Local Sustentável. Ao contrário do que se pensa, ele não está na contramão. Organismos como o Banco Interamericano de De-senvolvimento (BID) e a Organização das Nações Unidas (ONU) cada vez mais têm centrado foco em projetos que podem ser administrados por consórcios municipais. Na sua opinião, a saída para o crescimento econômico não está na gigante figura do Estado como financiador de projetos grandiosos. Os municípios podem se revelar ótimos gestores dos recursos existentes para os arranjos produtivos locais. ?Cada cidade tem sua vantagem comparativa natural?, diz o especialista em políticas públicas. ?Mas se quiser, essa mesma cidade pode buscar novas vocações através do treinamento e da educação?, completa. Para Caldas, cada município tem suas potencialidades, portanto são poucas as chances de um investimento federal maciço surtir o mesmo efeito em todos os cantos do País. ?Quando o governo federal planeja investimentos em habitação popular, normalmente ele implanta o mesmo projeto de casa independentemente de ela estar situada no Oiapoque ou Chuí, sem levar em consideração as diferenças climáticas e culturais da região?, ilustra. De passagem por Alagoas, onde participou de um círculo de palestras no auditório do Sebrae, Ricardo Caldas, destaca que no Estado há várias potencialidades a serem ainda mais exploradas para promover geração de emprego e renda e também bons retornos financeiros. O turismo é uma delas. ?Para fortalecer o setor, acredito que os municípios litorâneos podem se unir para buscar melhorias em sua infra-estrutura. Vejo a formação de consórcios uma boa alternativa de organização para se planejar atividades produtivas?, diz. Na sua opinião, as operadoras de turismo poderiam aproveitar mais a proximidade com a Europa e criar estratégias de atuação planejando vôos diretos do continente europeu para a capital, com pacotes turísticos fechados, incluindo todos os pequenos empreendimentos. Na sua visão, estimular a cadeia produtiva, removendo barreiras, promovendo sinergia entre os vários arranjos produtivos é a melhor maneira de eliminar as desigualdades sociais, por exemplo. Em Alagoas, Caldas destaca com potencialidades a aqüicultura, a fabricação de produtos derivados da cana-de-açúcar como cachaça e doces, além da ovinocaprinocultura, floricultura e apicultura. Mesmo não sendo entusiasta do modelo desenvolvimentista que aposta todas as fichas na industrialização, Ricardo Caldas não desmerece o papel das grandes empresas no incremento da economia. Só não é favorável à idéia de que essas empresas são as únicas vias de promoção do crescimento. ?Qual foi o desenvolvimento promovido pela instalação da Vale do Rio Doce no Estado do Maranhão? Ou a implantação da Ford na Bahia??, provoca. Para ele, essas empresas levaram sua tecnologia, trouxeram técnicos de fora, mas os impostos recolhidos pelos estados não necessariamente foram convertidos em desenvolvimento local. Recriação da Sudene Embora a recriação da Sudene tenha forte apelo na região, Ricardo Caldas não vê vantagens no renascimento da instituição para o desenvolvimento nordestino. ?A experiência deixou claro que a Sudene não conseguiu reverter a posição nordestina em relação ao Produto Interno Bruto do País?, diz. De acordo com Caldas, quem defende o retorno da Sudene é a elite que sempre teve acesso aos recursos por ela oferecidos. Na sua opinião, R$ 1 milhão nas mãos de um prefeito empreendedor pode ser muito mais transformador do que R$ 100 milhões repassados pela Sudene para fomentar o desenvolvimento regional.

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