Economia
Crescimento do agroneg�cio cai em 2004
São Paulo - As perdas da agricultura com a colheita da soja neste ano levaram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a rever para baixo a previsão de crescimento do agronegócio em 2004, de 6,5% para 3,15%. O chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, explicou que a pecuária vem mantendo o ritmo gradual de crescimento em relação ao ano passado, o que já não ocorre com a agricultura, que registra perdas neste ano. Em razão de problemas climáticos, como a seca na Região Sul e da incidência de ferrugem asiática nas lavouras, o Brasil deverá colher 51,5 milhões de toneladas de soja frente a uma previsão inicial de 57,5 milhões de toneladas. A safra de milho também sofrerá perdas e a estimativa inicial de 47 milhões de toneladas caiu para 42 milhões de toneladas. No ano, a pecuária deverá contribuir com um crescimento de 6%. Em 2003, essa taxa de expansão foi de 6,2%. A agricultura deverá crescer 3,6% e a agropecuária, 4,6%. Com isso, a taxa de expansão do agronegócio deve ficar em torno de 3,15%, o que levará o PIB do setor para R$ 524,29 bilhões, contra os R$ 508,27 bilhões de 2003. Resultado trimestral Todas as projeções para o ano levam em conta o desempenho do setor no primeiro trimestre deste ano. O PIB do agronegócio brasileiro cresceu 0,75% nos primeiros três meses de 2004, em relação ao mesmo período de 2003. O PIB do agronegócio inclui desde a produção primária até a indústria de processamento, insumos e serviços do setor. Para esse resultado do primeiro trimestre do ano, a pecuária foi o grande destaque com um crescimento acumulado no período de 1,48%. A agricultura cresceu 0,88%. A previsão da CNA é de que o valor bruto da produção pecuária atinja R$ 63 bilhões neste ano, contra R$ 59,5 bilhões do ano passado. Somente o segmento de carne bovina tem previsão de crescimento de 10,6% no faturamento em razão, principalmente, da recuperação dos preços. Algodão O Brasil deve produzir 1,4 milhão de toneladas de algodão em pluma em 2004/2005. O consumo interno deve atingir 870 mil toneladas, e as exportações devem somar 600 mil toneladas. Os dados são da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). A entidade divulgou na semana passada seu primeiro levantamento de oferta e demanda da safra 2004/2005, e retocou seus números para a safra atual (2003/2004). O levantamento da Anea mostra que a produção de algodão em pluma vem crescendo vertiginosamente. O aumento da produção no ano que vem é de 9,4% sobre a colheita projetada para este ano. Na comparação com 2003, a produção de 2005 acumula crescimento de 64,7%. O consumo interno de algodão está evoluindo em ritmo mais lento. De 2003 para 2004, o consumo cresceu 12,9%. Já deste ano para 2005, a Anea projeta um crescimento de 4,8%. No período entre 2003 e 2005, a entidade estima um crescimento de 18,4% no consumo doméstico. Os números evidenciam que a exportação é a grande propulsora da produção brasileira. O crescimento dos embarques de 2003 para 2004 foi de 134,3%. De 2004 para 2005, a taxa de aumento da exportação é de 46,3%. E na relação entre 2003 e 2005 o salto das vendas ao exterior é de 242,8%. A demanda tem garantido bons preços ao produtor. No Paraná, levantamento do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) mostra que o preço médio nesta safra foi de R$ 20,61 por arroba de algodão em caroço.