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Economia

Combate � pobreza � a chave do crescimento

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A resposta para desenvolvimento efetivo do Estado está naquela que parece ser a sua maior dificuldade: o desenvolvimento humano. Segundo Cícero Péricles, economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é necessário erradicar a miséria e combater de forma sistemática a desigualdade através de políticas públicas. Sem isso, será difícil o Estado transpor a barreira da falta de qualificação de mão-de-obra e a inserção econômica dos excluídos de Alagoas. ?Precisamos trabalhar a dinâmica dos setores da economia popular, os que movimentam o consumo local, gerando emprego e renda, e apostar na infraestrutura, como a habitação e saneamento. Essas ações, combinadas, podem ter como resultado a elevação da renda com a incorporação ao mercado consumidor de quase dois milhões de alagoanos, formando um ambiente capaz de atrair, naturalmente, os investimentos. O resto é factóide, fogos de artifício?, afirma. Neste cenário, o professor de Economia vê com bons olhos iniciativas governamentais como a criação dos Programas de Microcrédito, de Arranjos Produtivos Locais, em parceria com o Sebrae, e o Programa Estadual do Leite, em parceria com o Fome Zero. Na opinião de Péricles, o desenvolvimento de Alagoas não depende exclusivamente do investimento de empresas de grande porte, embora ele acredite que as indústrias podem ter um papel positivo na economia alagoana. ?Mas essa não é uma fórmula milagrosa, capaz de atrair bilhões de reais e transformar o perfil socioeconômico do estado?, alerta. Segundo Cícero Péricles, esse é um equívoco do pensamento conservador e já foi experimentado várias vezes, sem sucesso, nas experiências do distrito industrial, do Proálcool e do Pólo Cloroalcoolquímico e que ?agora se repete no anúncio de uma refinaria de petróleo em Maceió, que geraria 50 mil empregos?, ironiza. ?É uma ilusão achar que, somente pela propaganda, as megaempresas virão se instalar numa economia sem mercado interno, com problemas de infraestrutura, com uma máquina pública sem capacidade de oferecer contrapartidas e, ainda por cima, concorrendo com outros estados em melhores condições, com mercados mais amplos?, opina. A seu ver, Alagoas não é um estado desenvolvido porque não superou a herança de quase quatro séculos de escravidão, de latifúndio e de modelo agro-exportador, que ainda pesa na realidade atual, no nosso cotidiano. ?Em razão disso, a estrutura fundiária é problemática, concentrada, o trabalho é mal remunerado, e a dinâmica de sua produção continua sendo determinada pelo mercado externo?, reflete Péricles. Segundo o economista, o fato de o Estado ter o terceiro menor produto interno per capita e o maior grau de concentração de renda do Brasil forma uma combinação que torna impossível seu desenvolvimento pelo caminho conservador. ?São essas características que nos dão pouca dinâmica na economia, e não a ausência de megaempresas?, afirma.

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