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ALAGOAS É O 3º DO PAÍS EM JOVENS QUE NÃO ESTUDAM NEM TRABALHAM

Do total de jovens alagoanos com idade entre 15 e 29 anos, 34,1% estão nessa condição, diz estudo

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Em todo o País, 23,7% dos jovens não estudam e nem trabalha, segundo levantamento
Em todo o País, 23,7% dos jovens não estudam e nem trabalha, segundo levantamento -

Alagoas tem o terceiro maior percentual do Brasil de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados nem-nem. Do total de jovens alagoanos com idade entre 15 e 29 anos, 34,1% estão nessa condição. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte de um levantamento exclusivo da IDados para o jornal Valor Econômico. Em todo o país, 23,7% dos jovens estão nessa condição, mas esse percentual é de 30,6% no Nordeste e de 26,6% no Norte. No Maranhão esse percentual é de 36% e de 34,9 % no Amapá. A diferença também aparece quando se compara com outras regiões brasileiras: 16,1% no Sul, 19,7% no Centro Oeste e 21,2% no Sudeste. O jornal mostra que dos 11,675 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham no Brasil, quase metade (48%, ou 5,6 milhões em números absolutos) estão nas regiões Norte e Nordeste. A participação é bem maior que os 38% que essas regiões representam do contingente total de jovens nessa faixa etária no país. Essas disparidades regionais já eram uma realidade antes da pandemia. No quarto trimestre de 2019, a proporção de nem-nem em relação aos jovens de 15 a 29 anos era de 24% no Brasil e de 35,6% no Maranhão, 28,6% no Amapá e 31,1% em Pernambuco. No período inicial da crise sanitária, a incidência de nem-nem avançou como um todo no país e vem melhorando nos últimos trimestres, como reflexo da reação do mercado de trabalho, ainda que com vagas mais precárias, explica professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Saboia. Naquele momento inicial da pandemia, lembra ele, houve forte redução da população ocupada, além do fechamento das escolas ter contribuído para o abandono de alunos. O padrão de concentração maior em Estados do Norte e Nordeste, no entanto, se manteve sem alterações. Naquele segundo trimestre de 2020, quando a proporção de nem-nem do total de jovens entre 15 e 29 anos chegou a 29,9% na média brasileira, esbarrou em 40% em alguns desses Estados, como Alagoas (42,6%), Maranhão (40,5%), Paraíba (39,5%) e Pernambuco (39,2%). “A grande diferença se deve às enormes desigualdades regionais do país”, diz ele. A fraqueza do mercado de trabalho dessas regiões fica clara nas taxas de desemprego, tradicionalmente mais elevadas que a média brasileira e também de Estados mais desenvolvidos. No terceiro trimestre de 2021, último dado do IBGE disponível, por exemplo, o desemprego médio no Brasil estava em 12,6%, mas era de 16,4% no Nordeste, maior taxa entre as cinco regiões brasileiras. Em alguns Estados, se aproximava dos 20%, como em Pernambuco (19,3%), Bahia (18,7%) e Alagoas (17,1%). Na região Norte, a média fica em 12%, mas há também situações extremas, como Amapá (17,5%) e Maranhão (15%).

Na avaliação da professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Valéria Ferreira Santos de Almada Lima, a “desestruturação” desses mercados de trabalho favorece essa proporção maior de jovens que não trabalham nem estudam nessas regiões. Nesses mercados menos dinâmicos, diz ela, é maior a tendência de empresas exigirem grau maior de escolaridade e experiência mesmo para vagas que seriam de menor qualificação. “É como um filtro para entrar no mercado”, afirma. Este tipo de prática aumenta ainda mais o chamado desemprego de inserção, que é aquele no início da vida profissional do indivíduo. “Há um ciclo vicioso. O jovem não consegue trabalho porque não tem experiência, mas também não adquire experiência profissional por falta de oportunidades”, lembra. Mas a professora, que coordena o eixo trabalho do Observatório Social e do Trabalho da UFMA, também inclui a pobreza como fator importante para essas disparidades nos índices de nem-nem. Ela lembra que o fenômeno dos nem-nem é mundial, diante do novo contexto do mercado de trabalho, com mais precarização, mas que existe uma relação entre a pobreza e o maior desemprego. “Não é mera coincidência que os dados mostrem que a incidência é maior exatamente nas regiões mais pobres do país. Onde tem mais pobreza, há menos oportunidades de postos de trabalho e o mercado é mais seletivo. Não é à toa que o Maranhão, um dos Estados mais pobres do Brasil, tenha também o maior índice de nem-nem”, diz ela, complementando. Em regiões mais pobres, a tendência também é de sistemas educacionais mais precários e, portanto, mais suscetíveis à evasão escolar. O aspecto é apontado por João Saboia como mais uma influência para concentração maior de nem-nem nas regiões Norte e Nordeste. “É o subdesenvolvimento local que produz mais nem nem no Norte e Nordeste. Um mercado de trabalho pouco desenvolvido e escolas públicas mais precárias desincentivam o estudo e o trabalho de jovens”, afirma.

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