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Especialistas recebem Ondazul com ceticismo

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PATRYCIA MONTEIRO Logo que foi anunciado no Estado, em meados de 2002, o projeto Ondazul impressionou tanto pelos valores anunciados de investimentos, quanto pelo porte de sua obra. O complexo turístico teve suas informações reproduzidas nos principais veículos de comunicação brasileiros. Dois anos depois, o mega-empreendimento anunciado caiu um pouco no descrédito dos especialistas de mercado. ?O atraso que sofre em função das questões ambientais tirou um pouco da credibilidade do Ondazul?, reconhece Daniel Vasconcelos, um dos sócios da empreitada. Mas, segundo fontes ligadas aos fundos de pensão que investem no segmento hoteleiro, as razões talvez não tenham sido exatamente o atraso na construção do empreendimento. ?É preciso ser muito aventureiro para investir em um resort tão distante do aeroporto de Maceió, tendo em vista a difícil experiência da Costa do Sauípe, que não conseguiu ainda atingir as taxas de ocupação esperadas?, afirma. Desconsiderando a possibilidade de o projeto não vir, suas semelhanças com o complexo turístico baiano Costa do Sauípe também preocupa os especialistas. ?As principais críticas à Sauípe foram a falta de integração da comunidade aos quadros funcionais das empresas criadas?, afirma Polyana Lins, professora de Marketing Turístico da Faculdade de Maceió (Fama). Ela ressalta que a proposta inicial do projeto, da mesma forma como está prevista no Ondazul, era absorver a mão-de-obra local para trabalhar no complexo turístico. Só que esse contingente de trabalhadores ainda não estava devidamente preparado para atuar no atendimento hoteleiro, antes da conclusão das obras. ?A adaptação só veio com o Instituto da Hospitalidade, que capacitou o pessoal, o problema é que essa capacitação deveria vir quando a obra ainda estava em andamento?, explica Polyana. Outro aspecto levantado pela professora é que a finalização de Sauípe veio num momento em que o governo baiano tinha implementado seu Plano de Fomento ao Turismo, já dispondo de obras de infra-estrutura, como a modernização do Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães. ?O acesso a Passo do Camaragibe, por sua vez, ainda é precário e a cidade não tem infra-estrutura adequada para comportar um empreendimento do porte do Ondazul. Sem os investimentos do Estado, fica difícil apostar no sucesso do empreendimento?, alerta Polyana Lins. Outro quesito questionável, na opinião da turismóloga, diz respeito aos valores anunciados para o projeto. ?Para efeito comparativo, na Costa de Sauípe foram construídos cinco hotéis de 4 e 5 estrelas, com 1.500 apartamentos, o village com seis pousadas, campo de golfe, quinze quadras esportivas e foram gastos R$ 350 milhões?, diz afirmando que a obra baiana é compatível com o projeto alagoano, que vai custar R$ 100 milhões a mais, considerando as taxas de câmbio. ?Ao longo do tempo, surgiram rumores no mercado de que os investidores da MMC tinham saído do projeto, inviabilizando, assim, o Ondazul. Agora, ficamos sabendo do grupo Socrate, mas é difícil prever o que vai acontecer, pois esse é um grupo de investidores praticamente desconhecido no Brasil?, diz. Ondazul Apesar do descrédito entre os especialistas do mercado turístico, o projeto Ondazul Alagoas Hyatt Beach Resort anunciado em 2002 está confirmado - pelo menos para seus investidores. Após o imbróglio referente às questões ambientais que atrasaram o início das obras por um ano, o Ondazul recebeu as licenças necessárias de âmbito estadual aferidas pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA). Contudo, o projeto ainda aguarda a conclusão dos estudos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), prevista para meados de outubro. Segundo Marc Ferrari, presidente da empresa Ondazul Internacional, uma espécie de filial brasileira da canadense MMC Group Monaco ? anunciada, há dois anos, como financiadora do projeto ? serão investidos US$ 150 milhões no empreendimento, cerca de R$ 450 milhões. ?O grupo Hyatt vai administrar o conjunto do resorts, tanto na parte dos hotéis, quanto na parte imobiliária. Os investidores financeiros no projeto são canadenses dirigidos pelo grupo Socrate, de Montreal?, diz Marc Ferrari, explicando que os investidores coordenam fundos de pensão no Canadá. Além de ambicioso nas cifras, o Ondazul é também ambicioso em suas instalações. O complexo hoteleiro, previsto para ser construído em duas etapas, tem uma área de 180 mil metros quadrados, situada no município de Passo do Camaragibe. No primeiro momento, vão ser erguidos três hotéis ? o Grand Club Hotel, com 100 leitos, o Sport Center Hotel, com 250 leitos, e o Conference Center Hotel, com 320 leitos. Além disso, pretende-se construir uma vila, uma série de espaços reservados para lazer, capela, praça, lojas, oito restaurantes, cinco bares, pousadas, quadras esportivas, piscinas e um campo de golfe. Na segunda fase, pretende-se construir ainda um apart hotel e uma marina para pequenas embarcações. De acordo com Daniel Vasconcelos, sócio alagoano de Marc Ferrari, R$ 9 milhões já foram investidos no projeto, referentes às despesas com a aquisição do terreno que pertencia à família Chaves, proprietária da área há oito décadas. O pagamento foi feito em parcelas pagas pelos canadenses. Corria pelos bastidores a informação de que a MMC Group tinha saído do projeto. Mas, segundo Vasconcelos, a empresa criou uma nova empresa, com CGC no Brasil, para poder fazer as remessas financeiras do exterior. A idéia do Ondazul data de 1994 e se deu graças ao projeto Costa Dourada, da época do Prodetur I. ?Temos US$ 30 milhões para investir no primeiro momento; basta que o projeto obtenha a aprovação final?, afirma Vasconcelos. ?Os canadenses dispõem de bom volume de capital e visam rentabilidade no projeto?. Daniel Vasconcelos diz que 500 empregos serão gerados na construção da obra. Ao ser concluída, mais mil funcionários serão contratados, gerando outros mil postos de trabalho indiretos. Segundo Vasconcelos, na fase atual de prospecção, vinte e três profissionais estão envolvidos no projeto, entre eles oito biólogos. De São Paulo, sairão os projetos de arquitetura, paisagismo e decoração de interiores, assinados respectivamente por M. Bernard Erbeia, Benedito Abbud e Patrícia Anastasiadis. ?A fiscalização do Ondazul será feita pela empresa Concremat ? que atualmente acompanha as obras do aeroporto de Maceió ? e a implantação da marina e de um canal tem o suporte dos engenheiros da Engecorps. Se os planos da Ondazul Internacional se concretizarem, o canteiro de obras de infra-estrutura começará em janeiro de 2005 e a construção dos hotéis, cinco meses depois. A inauguração do complexo turístico propriamente dito está programada para setembro de 2007. Até lá, os alagoanos ficarão na torcida para que o Ondazul saia do imaginário dos seus idealizadores e se concretize em todas as suas ambições.

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