Economia
Petrobras anuncia reajuste da gasolina
A gasolina vai ficar 10,8% mais cara nas refinarias a partir de hoje. O reajuste foi anunciado ontem pela Petrobras. Para o consumidor de Alagoas, o litro do combustível ? que atualmente pode ser comprado por R$ 2,14 ? deve chegar a ser comercializado por até R$ 2,29, já que o aumento na bomba pode chegar a 7%. Segundo a Petrobras, o reajuste para o consumidor final deve ficar em 4,5%. Esse é o primeiro aumento divulgado pela empresa no governo Lula. Em abril do ano passado, a estatal reduziu o preço dos combustíveis em 6,5%. A alta se deve ao aumento do petróleo, que ultrapassou os US$ 40 em Nova York no mês passado, e dos combustíveis nos mercados internacionais. Também haverá reajuste para o diesel, de 10,6%. O governo não vai mexer no preço do gás de cozinha (GLP). Apesar de a estatal não ter mexido nos preços neste ano, os combustíveis já estavam mais caros desde o final de maio, quando várias distribuidoras aumentaram o preço da gasolina e do álcool em cerca de 1,5% e 12%, respectivamente. O reajuste foi provocado pelo aumento do preço do álcool - a gasolina vendida nas bombas tem 25% de álcool. Segundo a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina no País subiu de R$ 1,983 para R$ 1,996 entre maio e a primeira semana de junho. No caso do álcool, o aumento foi de R$ 1,036 para R$ 1,111. Estatal Ao contrário da maioria das petrolíferas internacionais, a estatal brasileira adiou o mais que pode o reajuste dos combustíveis. A estimativa dos analistas é de que a Petrobras estava vendendo a gasolina nas suas refinarias com descontos de até 30%. Hoje, o petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York está cotado a US$ 37,50. Mas no mês passado, chegou a bater a marca dos US$ 40. O barril do petróleo tipo Brent para entrega em julho, negociado em Londres, está cotado a US$ 35,22. A ausência de um reajuste no preço dos combustíveis no primeiro trimestre foi um dos fatores para a queda de 28% no lucro da estatal no período, em relação ao mesmo trimestre do ano passado - R$ 3,972 bilhões ante R$ 5,5 bilhões. O último reajuste da gasolina foi anunciado em abril do ano passado, quando a Petrobras reduziu o preço em 6,5% nas refinarias (5% nos postos). Antes disso, houve um aumento nos preços dos combustíveis no final do governo FHC, em dezembro de 2002. Segundo a Fecombustíveis (federação dos postos), a estimativa de impacto do aumento dos combustíveis aos preço repassado para o consumidor final é de 4,5% e 5% nos postos de gasolina. Para o diesel, os revendedores estimam um aumento de 8% a 8,5% nos postos. O reajuste não agradou aos donos de postos, que já vêm sofrendo com redução do mercado de combustíveis. Somente no último ano, o consumo de combustíveis caiu 6,9%, segundo a federação. A estimativa dos revendedores era de que o aumento da Petrobras ficaria próximo do percentual de redução ocorrido em abril do ano passado, quando a gasolina ficou 6,5% mais barata na refinaria. O reajuste também não incide sobre parte da carga tributária, já que os valores da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Cofins não mudam.