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Estados assediam empresas do Distrito Industrial

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PATRYCIA MONTEIRO Todo alagoano tem na ponta da língua a principal reivindicação dos empresários instalados no Distrito Industrial Governador Luiz Cavalcante: macrodrenagem. Há dez anos, o pólo situado no bairro do Tabuleiro do Martins, em Maceió, é tomado pelas águas nos dias de chuva. A obra que interliga duas lagoas situadas no distrito até foi iniciada, mas não concluída, segundo Gilvan Leite, presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Adedi). O temporal do começo de junho deixou um saldo de R$ 1 milhão em prejuízos, paralisando algumas empresas até os dias atuais. ?Em janeiro estavam previstos cerca de R$ 7,5 milhões em recursos do Ministério da Integração Regional para fazer a drenagem do distrito. Falta a bancada alagoana ter mais empenho para captar esses investimentos?, afirma Leite. Além da macro e da microdrenagem, que podem ser melhoradas com a limpeza das galerias, os empresários querem segurança, pavimentação, melhorias nos fornecimentos de água e energia e, sobretudo, uma gestão compartilhada do distrito junto com a Secretaria de Indústria e Comércio. Uma das maiores fontes de angústia dos empresários do distrito é a ocupação irregular dos terrenos do Luiz Cavalcante. ?A última empresa que se instalou no distrito foi um motel, numa área que seria de preservação ambiental?, afirma Gilvan Leite, explicando que há cinco anos o distrito não recebe nenhum novo investimento empresarial. Atualmente, o distrito industrial reúne 50 empresas de pequeno e médio porte de diversos segmentos produtivos. Há empresas de plástico, de embalagem, pescados, tintas e refrigerantes, por exemplo. Juntas, as fábricas do Luiz Cavalcante geram cerca de três mil empregos diretos. ?E temos potencial para mais?, diz Gilvan Leite, argumentando que hoje as indústrias ocupam apenas 39% da área do distrito. ?Toda semana recebemos visitas de três empreendedores interessados em se instalar no município, entretanto quando eles se deparam com as nossas dificuldades desistem de vir para cá?, diz. Como se não bastasse não atrair mais novos investimentos, o Distrito Industrial corre o risco de perder os empresários que já atraiu. É o caso de José Alcântara, dono da Hidro-Solo, fabricante de produtos para irrigação. Com a primeira chuva de junho, o empresário somou R$ 100 mil de prejuízo. ?Eu estava numa curva ascendente quando a chuva me abateu. Fiz recentemente um investimento de R$ 430 mil para ampliar minha linha de produtos?, diz. Alcântara já recebeu propostas do governo do Estado da Bahia e também de Goiás ? que oferecem vantagens fiscais, terrenos e galpões ? para implantar uma nova empresa e deixar o Estado. Embora se sinta extremamente tentado, Alcântara tem um limitador. ?O prédio onde está instalada a minha empresa me pertence. O que eu faria com ele? Abandonaria??, pergunta. Segundo ele, embora o imóvel tenha valor de mercado da ordem de R$ 1 milhão ? de acordo com os parâmetros da prefeitura, na cobrança do IPTU ?, ninguém compraria o prédio nem por um preço camarada, tendo em vista os alagamentos que o imóvel invariavelmente sofre. ?Sinto-me de mãos atadas?. Medidas judiciais De acordo com o secretário adjunto da Indústria e Comércio do Estado, Alberto Cabus, o governo está ciente do problema das áreas ocupadas irregularmente no distrito e já fez um mapeamento das invasões. ?Em breve, as pessoas serão notificadas e medidas judiciais serão tomadas pela secretaria para a desocupação dos terrenos?, garante. De acordo com Cabus, na última viagem do governador Ronaldo Lessa houve um encontro com representantes do Banco do Nordeste para pleitear uma linha de crédito para que os empresários do Distrito Industrial pudessem captar recursos para cobrir os seus prejuízos.

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