Economia
Empresas querem mais do que isen��o fiscal
PATRYCIA MONTEIRO A disputa entre estados pela instalação de empresas em seus territórios sempre fez parte da política de desenvolvimento econômico do Brasil. São Paulo construiu as bases de sua industrialização oferecendo incentivos fiscais as suas primeiras fábricas. A chamada Guerra Fiscal denomina o momento de competição acirrada entre as unidades da Federação, mais intensificada nos últimos 10 anos, por causa da abertura da economia nacional e dos decorrentes investimentos estrangeiros nos mercados emergentes, inclusive no Brasil. O embate travado na última década tem se traduzido em concessão de benefícios, sobretudo fiscais, aos empreendedores em potencial. Como a legislação atual limita o nível de isenção tributária oferecida, cabe à infra-estrutura ser o diferencial para os investidores. ?Os incentivos fiscais não garantem a permanência das empresas. Tanto que algumas não resistem após o período de isenções tributárias e fecham as portas?, afirma Evilásio Soriano, empresário e ex-secretário de Planejamento do Estado. Alagoas tem em seu território seis distritos industriais à disposição do mercado. São eles: o Distrito Industrial Governador Luiz Cavalcante, em Maceió, o de Marechal Deodoro, os de Arapiraca, Rio Largo, Pilar e Murici. Nesse cenário, novos pólos vão despontando graças à instalação de algumas empresas, o que talvez amplie o número de distritos no futuro, como vem sendo observado no município de União dos Palmares, que reúne a Granja Carnaúba, a fábrica São Domingos e a Quacker. Mas, como estão os distritos industriais alagoanos? São eles competitivos? Sua existência é importante para o desenvolvimento do Estado? Segundo Evilásio Soriano, um dos mentores do Pólo Multifabril Marechal Deodoro, os distritos industriais são importantes, mas não fundamentais. ?Às vezes, é a oferta de uma matéria-prima específica que leva uma empresa a se decidir. Cada Estado pode ter vantagens competitivas naturais também?. Para reforçar sua argumentação, Soriano lembra que a antiga Salgema, atual Braskem, firmou suas bases em Alagoas porque aqui encontrou cloreto de sódio abundante, assim como a Cimentos Atol, que se fixou em São Miguel dos Campos por causa do calcário encontrado na região. ?E para a empreitada, as próprias indústrias investiram na infra-estrutura?, lembra Soriano.