Economia
Mercado do Jaraguá ainda amarga queda de 50% do movimento
Comerciantes reclamam do prejuízo, dizem que ainda sentem os efeitos da pandemia de Covid-19 e que não recuperaram vendas
O Mercado do Jaraguá, principal ponto de café da manhã e almoço de muitos trabalhadores que exercem suas atividades na parte baixa de Maceió, ainda sente os efeitos da pandemia com a queda na movimentação da clientela. É o que apontam comerciantes da localidade que trabalham em diversos setores alimentícios: desde a venda de frutas e verduras, passando pelas mercearias, até a venda tradicional dos pratos prontos. Maurício Santos, por exemplo, herdou do pai, o seu Zezinho, o famoso Jaraguá Horti Fruti, que existe há 60 anos no Mercado do Jaraguá. Eles foram um dos primeiros a ocupar o atual galpão que dá lugar ao estabelecimento comercial. Ele afirma que o atendimento atual está em 50% do total de clientela que frequentava o local no período anterior à pandemia. “Não voltou 100%. Quando a gente estava resgatando 70 a 80% dos clientes, veio a alta do preço das verduras que está afetando bastante a nossa venda.
Com essa alta dos preços das verduras, caiu mais uns 30% e hoje a gente está uma média de cinquenta por cento do que era consumido por aqui”, relata. Segundo Maurício, a clientela atualmente está comprando mais produtos para consumo básico, como tomates e cebolas e mesmo assim os clientes estão trocando o quilo para comprar por unidade. Preços como os da cenoura e repolho, por exemplo, hoje estão custando o dobro. A cenoura, que antes custava R$ 5 reais o quilo, hoje está valendo R$ 12. O repolho, que era de R$ 5 reais o quilo, está a R$ 10. O proprietário do horti fruti afirma que só não sentiu grandes prejuízos ao longo da pandemia porque, por ser serviço essencial, o estabelecimento se manteve aberto, mas ele ressalta que era o único estabelecimento em funcionamento no Mercado do Jaraguá no período em que os outros estavam totalmente fechados. Segundo ele, o que salvou o faturamento foi a venda em domicílio.
“Coisa que a gente nunca tinha feito antes”, afirma, ressaltando que, mesmo assim, foi um período “assustador”. “Foi assustador, porque fiquei com muito receio e preocupado de continuar trabalhando no auge da pandemia, então foi muito tenso, além de estar aqui sozinho, sem ter ninguém, mas depois a gente foi se acostumando”, complementa. Para Maria Salete Costa, 70 anos, proprietária de um restaurante que fica dentro do Mercado da Produção, o sistema de entrega em domicílio não aliviou a pressão econômica causada pela pandemia. Ela afirma que os clientes que frequentam o local não fazem o perfil daqueles que preferem o pague e leve, sendo geralmente pessoas que trabalham nas redondezas. “Público gosta de vir pra cá, sentar na mesa e comer aqui”, afirma Maria Salete, ressaltando que o movimento também caiu em 50% depois da pandemia e até agora não foi recuperado em sua totalidade. “Antes isso aqui lotava”, comenta. O preço dos pratos no restaurante de Maria Salete também aumentou. Ela cita o exemplo daqueles que compõem o charque. “Para gente comprar aumentou muito e a gente teve que aumentar um pouco senão não tinha condições de trabalhar.
Por exemplo, antes da pandemia a gente comprava um fardo de charque por R$ 400 e hoje compro por R$ 900. Na pandemia cheguei a comprar por R$ 1050. Isso em relação ao charque, mas em outras coisas também aumentou muito”, diz. Por lá, um prato que custava R$ 25, hoje está a R$ 30 e valor varia de R$ 14 para o mais barato a R$ 60 para o mais caro. Essa foi a primeira vez que Napoleão Miguel da Silva, de 72 anos, e trabalha há 20 anos na própria mercearia, viu diminuir o número de consumidores. Com a pandemia, ele afirma que perdeu muitos produtos, como farinha, feijão, arroz, porque ficaram fora da validade e estragaram, enquanto o estabelecimento ficou fechado. “Aqui mesmo o movimento está muito fraco e tem dia que não alcanço 100 conto e antes da pandemia era 300 reais, 400 por dia, mas depois foi esmorecendo, o pessoal não vinha mais, nunca voltou mais ao normal”, relata.
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A supervisora de uma loja de baterias, Thalyta Rocha, sempre frequenta o Mercado do Jaraguá. Ela percebe que o preço aumentou, mas afirma que o valor está dentro do padrão. A supervisora diz que utiliza o Mercado do Jaraguá para diversas atividades, não só no momento em que precisa almoçar.
“Aqui tem um salão que eu gosto muito, minha amiga vem ao sapateiro. Aqui não é só comida, tem outras coisas que a gente usa no mercado. Venho aqui para comprar embalagem de presente, aqui é o melhor lugar para comprar embalagens. Quando falta copo descartável no meu trabalho, aqui é o que salva. Na hora do almoço, eu almoço, escovo o cabelo em meia hora. São várias coisas que podem ser feitas aqui”, diz a supervisora.