Economia
Preço de frutas e verduras lidera reclamações em feiras
Levantamento do IBGE revelou que os principais vilões do setor de alimentos para as famílias brasileiras são a cenoura, tomate e batata
É unânime. Comerciantes e consumidores reclamam que o preço das frutas e verduras aumentou muito nos últimos dias. A situação é preocupante até mesmo nas feiras livres, onde os alimentos costumam ser mais baratos. A cenoura, o tomate e a batatinha lideram, nessa ordem, a carestia dos produtos dessa natureza. E, para além das frutas e verduras, o preço do ovo também está pesando no bolso do consumidor.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no último dia 25 que, em março, os principais vilões do setor de alimentos para as famílias brasileiras são realmente a cenoura, que teve um aumento de 45,65%, o tomate (15,46%) e a batata-inglesa (11,81%).
Edicleide Ferreira é comerciante da Feirinha da Jatiúca. Por lá, ela trabalha há 18 anos. Ela conta que desde a pandemia sente a baixa da clientela na localidade, mas confessa que “parece ter ficado pior” mesmo depois das medidas de relaxamento. “Dinheiro só está dando para investir e hoje reduzi bastante a quantidade de produtos que compro para revender. Eu comprava 300 bananas e agora estou comprando 100. E se o ‘cento’ da banana era R$ 50, R$ 60, agora tá a R$ 80 e R$ 90”, relata a comerciante, afirmando que a clientela tem reclamado do preço.
“Se a gente comprar caro tem que vender caro, se a gente comprar barato, vende barato. Às vezes a pessoa tem muito cliente, mas o número de vendas cai porque o cliente reduz a quantidade de produto que compra. Se compra um quilo, o cliente pede meio, se comprava meio, pede apenas 200 gramas”, afirma Edicleide.
COMERCIANTES PREOCUPADOS
Quem também sente no bolso na hora de comprar para revender é a Flávia Pereira da Silva, que está na Feirinha da Jatiúca há 28 anos. “Teve muita mercadoria com aumento de praticamente quase 200%. A cenoura, por exemplo, uma caixa de 20 quilos custava R$ 60 reais e agora custa R$ 180, R$ 190 reais. O tomate, por exemplo, a gente está comprando a R$ 170 uma caixa, com 25 quilos. Antes estava a R$ 70, R$ 80 reais”. Outras verduras que ela cita são o chuchu, o brócolis e o repolho. “Toda verdura aumentou muito. O repolho, uma caixa era R$ 40, hoje a gente compra para revender a R$ 120 a caixa. E não tem qualidade. Está vindo cheio de água”. Na barraca que ela tem instalada na Feirinha da Jatiúca, Flávia afirma que não tem repassado o aumento para o cliente de forma proporcional. “Porque senão a gente não vende”, relata. O quilo do tomate está R$ 8. O da cenoura, R$ 14. A batatinha, o quilo está a R$ 7. Antes, os três custavam em média R$ 5 o quilo. “O quilo do tomate está a R$ 8 e para eu ganhar alguma coisa tenho que vender, no mínimo, por R$ 10. A gente está repassando de oito reais e o cliente está reclamando ainda. Estamos vendendo na medida do possível, praticamente apurando o dinheiro (pagar o que investiu), e não ter direito a nada de retorno. O lucro da gente está indo pra o lixo”, diz a comerciante.
MELÃO AUMENTOU 100%
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As frutas também seguem o mesmo caminho. Como exemplo, ela fala do melão. “O melão aumentou 100% e eu não sei porque esse aumento. Vendi o quilo do melão por R$ 4, e agora estou vendendo por R$ 8. Tudo o que você imaginar de fruta aumentou”, acrescenta. “O movimento aqui caiu porque as coisas ficaram muito caras. A cenoura aumentou um absurdo. A cenoura estava de R$ 40 a caixa e agora foi para R$ 180. O quilo está sendo vendido aqui a 13 reais. O tomate está de 170 a caixa e estou vendendo a 8 reais o quilo. Os líderes de aumento são cenoura, tomate e batatinha”, conta. “A gente está tendo muita perda. Isso está desde o começo do ano. Pensei que as coisas iriam baixar, mas aumentaram cada vez mais e uma hora falam que é por causa da safra, outra hora é por causa do combustível”, afirma o comerciante Cícero Rocha Moura, que tem um ponto na Feira do Jacintinho. Todos os comerciantes também são unânimes em apontar o aumento também do preço do ovo (bandeja custava R$ 12, agora está a R$ 20). A autônoma Maria Aline Correia, moradora do Jacintinho diz que sentiu o aumento dos preços.