Economia
Cria��o de avestruz tem cr�dito do Banco do NE
PATRYCIA MONTEIRO Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Secretaria de Agricultura do Estado e empresários da Multiaves assinaram ontem convênio de parceria que visa fomentar a cadeia produtiva de avestruz em Alagoas. Para a primeira etapa do projeto, que tem como foco os produtores rurais alagoanos, o BNB colocou à disposição uma linha de crédito com R$ 23 milhões disponíveis para atrair 100 novos criadores até 2006. A Multiaves, que atua no ramo de estrutiocultura e vende matrizes reprodutoras dos animais, será responsável pela venda dos primeiros avestruzes aos novos criadores, mas também pela compra deles após 10 meses de vida. ?Junto com a Secretaria de Agricultura daremos treinamento e orientação aos novos produtores beneficiados pela linha de crédito do BNB?, diz Donizete Almeida, diretor de agronegócios da Multiaves. Criada em 1999, a partir da aquisição de 400 casais de avestruzes da raça African Black, a Multiaves fatura R$ 4 milhões e tem cerca de 6 mil filhotes nos seus criadouros, situados nos municípios de São Sebastião e Delmiro Gouveia. A empresa alagoana comercializa avestruzes em toda a Região Nordeste, bem como nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Em julho, numa sociedade formada com dois investidores novos ? um de Alagoas e outro de Pernambuco ? a Multiaves vai criar uma fábrica de rações para avestruz. Na empreitada serão investidos R$ 2 milhões de recursos próprios dos três sócios. No Estado existem cerca de trinta produtores de avestruzes. O animal, originário da África, teve boa adaptação às terras brasileiras e aqui pode ser criado em regiões como o Sertão, onde o solo apresenta poucas condições para a agricultura. ?Nosso clima é até melhor para o animal, pois, sem inverno rigoroso, ele aqui produz o ano inteiro?, afirma Almeida. O desenvolvimento da estrutiocultura requer uma área menor do que a criação de gado bovino. ?Para criar um boi, em regime de engorda é necessário um hectare de terra. Neste mesmo espaço, pode-se criar até 60 avestruzes?, diz Almeida. Outra vantagem do avestruz é que dele podem ser aproveitados os ovos, a carne, as plumas e a pele. ?No segmento de curtume, a pele de avestruz tem grande valor de mercado?, afirma Almeida. ?Seu preço só é inferior ao couro do crocodilo do Nilo?, informa. Além do mercado interno, os produtos derivados de avestruz têm tudo para ganhar o mercado de exportações. ?Na Suíça e na Irlanda o quilo da carne de avestruz chega a custar US$ 40?, diz Almeida afirmando que os subprodutos do avestruz têm demanda nos países da Ásia, Europa, Estados Unidos e Canadá. Em Alagoas existe uma empresa beneficiadora de plumas de avestruz ? a Mari Plumas ? situada na cidade de Maribondo. Está nos planos da Multiaves também abrir um matadouro-frigorífico para vender a carne pronta para o consumo. Se os planos da parceria firmada ontem se confirmarem, é possível que o faturamento da Multiaves dobre até o ano de 2006. No próximo mês, o Banco do Nordeste vai fazer o lançamento da linha de crédito para potenciais criadores de avestruz também no Estado de Sergipe. Lá, um contrato de financiamento já foi assinado para captação de recursos. Até 2008, o banco aumentará gradualmente o volume de dinheiro para o projeto de expansão de estrutiocultura. Somados, os recursos podem chegar ao patamar de R$ 80 milhões nos próximos quatro anos.