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Pa�ses duvidam de acordo sobre agricultura

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Os países da Organização Mundial do Comércio terminaram na última sexta-feira uma nova rodada de reuniões na qual afloraram críticas à falta de transparência no processo negociador e dúvidas se um acordo satisfatório sobre agricultura será alcançado até fins de julho, o que seria um ponto-chave para o sucesso das negociações. Vários países, como Equador, El Salvador, Indonésia, Suíça, Japão e o grupo africano, reivindicaram maior transparência em Genebra. O motivo foi a reunião a portas fechadas realizada esta semana entre cinco grandes atores do comércio internacional: Brasil, EUA, União Européia, Índia e Austrália. A Suíça se queixou de que nessa reunião não estavam representadas ?todas as sensibilidades?. Não houve ninguém do chamado G10 de países protecionistas em agricultura que são ao mesmo tempo importadores de alimentos como a própria Suíça, o Japão, a Noruega e a Coréia do Sul. ?Não vamos aceitar nenhuma imposição?, afirmou o representante suíço, que no dia anterior tinha expressado em entrevista coletiva sua irritação por esse tipo de reunião restrita. O presidente do comitê de negociações, Tim Groser, da Nova Zelândia, que compareceu como observador na reunião desses cinco países, assumiu pessoalmente a responsabilidade por um texto apresentado pelos Estados Unidos que não circulou entre as demais delegações. Groser explicou que o documento de trabalho dos EUA não era de fato nenhuma proposta formal, e que ele mesmo tinha pedido aos seus autores para não divulgar. Ele também defendeu que os países se reúnam entre eles para fazer avançar o processo, tentando aproximar as diferenças. O embaixador do Chile, Alejandro Jara, salientou que o avanço é ?passo a passo? graças às reuniões entre os diferentes grupos de países. O chileno não se mostrou tão pessimista quanto outros colegas europeus e latino-americanos, que expressaram sua frustração pela lentidão do processo. Os membros da OMC estão de fato sob fortes pressões para chegar em julho a um acordo-marco para a agricultura e o resto dos termos de negociação, como o acesso a mercados para os produtos industriais ou os quatro temas de Cingapura, entre os quais só se salva o relativo à agilização de trâmites alfandegários. Depois da decisão da OMC favorável ao Brasil em sua disputa com os EUA pelos subsídios americanos aos produtores de algodão, cogitou-se a possibilidade uma chuva de disputas pelas subvenções agrícolas. Mas o principal negociador de temas agrícolas dos EUA, Allen Johnson, afirmou que ?os litígios duram sempre muito e por fim não são satisfatórios. O melhor é sempre negociar?. Todos se perguntam, no entanto, se até o fim de julho será finalmente possível chegar a um consenso sobre o esperado acordo-marco relativo às diferenças em agricultura, de cuja solução dependem dos outros assuntos.

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