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Microcr�dito incentiva empreendedorismo

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Como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) apenas o Banco do Cidadão e o Banco do Nor-deste do Brasil (BNB) concedem microcrédito em Alagoas. Além deles, a Visão Mundial e o Amicred, ambas Organizações Não-Governamentais (ONG), atuam na área. Das duas instituições bancárias, a mais antiga no mercado de microcrédito é o BNB, que há seis anos tem essa linha de financiamento no Estado. O público-alvo destes bancos são pessoas que trabalham por conta própria ou têm um pequeno negócio e, pela poucas posses ou nenhum patrimônio, não podem oferecer garantias de empréstimo aos bancos. Sem garantias, as instituições financeiras não liberam capital para que esse contingente possa investir em suas atividades. Apesar de utilizarem metodologias pouco diferentes, tanto o BNB como o Banco do Cidadão se inspiraram em outras experiências de microcrédito estrangeiras. O Banco do Nordeste foi buscar informações e até treinou seu pessoal no Banco Sol, situado no México. Lá, os funcionários do banco observaram o trabalho dos agentes de crédito que tinham forte atuação no mercado urbano mexicano. Mas a grande referência mundial em microcrédito é mesmo o Grameen Bank, criado por Muhammad Yunus, em Bangladesh, onde Pedro Verdino foi buscar informações para criar o Banco do Cidadão. Por ser um modelo bem- sucedido, há muito da fórmula do Grameen Bank tanto no Banco do Cidadão como no próprio BNB. É do ?banqueiro dos pobres?, como ficou conhecido o economista Yunus, que veio a filosofia do microcrédito tal como a conhecemos na atualidade. ?Antes de mais nada, é necessário entender que microcrédito não é esmola, ele funciona como um mecanismo de inserção dos mais pobres no capitalismo?, diz Verdino. O crédito oferecido aos excluídos é dado de acordo com a sua capacidade de pagamento e a quitação do empréstimo tem pequenos juros embutidos. ?Nosso objetivo maior é desenvolver o espírito empreendedor entre as pessoas mais humildes. Afinal, não visamos ao lucro?, afirma. Outro aspecto importante é que os bancos de microcrédito são autônomos em sua gestão, pois de acordo com as idéias de Yunus, o governo não deve ter participação nos processos administrativos, sob o risco de colocar a perder o princípio básico do microcrédito, que é de ensinar a pescar e não o de dar o peixe. Embora tenham alguma familiaridade com a lógica do capital, mas não sejam íntimos das práticas de mercado, os clientes do BNB e do Banco do Cidadão contam com as figuras dos agentes de crédito que acompanham desde o pedido de crédito até as futuras renovações. Esse grupo é formado por pessoas das áreas de economia, administração e políticas públicas. ?Eles estão sempre dando orientações sobre o que é faturamento, lucro, previsão de despesas e como estabelecer preços, por exemplo?, diz Verdino. Condições Para obter o financiamento, o cliente precisa levar à agência seu RG, CPF e um comprovante de endereço. Ir em grupo ou com avalista é uma das prerrogativas do banco. Sem o nome limpo, não é possível obter crédito. Depois de dar entrada no pedido, os agentes de crédito caem em campo para fazer um levantamento ?in loco? sobre a atividade desenvolvida pelo empreendedor. Identificadas as necessidades e a real capacidade de pagamento do cliente, são estabelecido os valores e as parcelas do carnê. O dinheiro sai em um prazo máximo de 10 dias. Segundo Carlos Campos, gerente regional do Crediamigo do Banco do Nordeste, os patamares de empréstimo de sua instituição vão de R$ 100 a R$ 10 mil e as taxas de juros oscilam entre 2 e 5%. No Banco do Cidadão o mínimo emprestado é de R$ 50 e o máximo vai a R$ 5 mil. A taxa de juros cobrada pelo empréstimo é única, de 3% ao mês.

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