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Economia

Modelo de microcr�dito vem de Bangladesh

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PATRYCIA MONTEIRO Todo empreendedor sabe que mais importante do que o dinheiro em si é o crédito que se pode obter no mercado. Com ele, é possível ampliar a capacidade de investimento imediato. Assim, os bancos e o aporte financeiro que podem oferecer sempre exerceram um papel fundamental na lógica do capitalismo. Entretanto, historicamente os mais pobres nunca tiveram acesso ao crédito dos bancos privados para dar impulso em seus pequenos negócios. Por não terem patrimônio, as instituições financeiras sempre consideraram uma operação de alto risco conceder empréstimos aos extratos mais humildes da sociedade. Mas em 1976 esse paradigma foi quebrado por Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank ? ou, traduzindo, o Banco dos Pobres. Nele, os excluídos passaram a captar recursos para desenvolver atividades produtivas adquirindo matéria-prima e equipamentos, por exemplo. Na sua opinião, as políticas públicas devem se livrar do modelo assistencialista e buscar um outro que vise desenvolver as capacidades humanas. O economista acredita que a caridade anula a capacidade de iniciativa. Nascido em Bangladesh, mas formado em economia nos Estados Unidos, o professor Yunus voltou à terra natal no ano de 1972 e ficou sensibilizado com a pobreza de seu país. Contrariando o senso comum, Yunus imaginou que o acesso dos mais pobres ao crédito bancário poderia ser uma boa saída no combate à desigualdade. Sem apoio de instituições bancárias, ele decidiu, junto com alguns colegas, levantar recursos necessários para dar incentivos à atividade pesqueira de uma comunidade. A partir dessa iniciativa, surgiu a idéia de criar o banco que se tornou referência mundial em microcrédito. Daí veio a convicção de que os pobres são bons pagadores. Partindo do princípio de que todo ser humano é um empreendedor em potencial, Yunus defende a tese de que o amplo acesso ao capital pode ser um fator de transformação social. ?O crédito deve ser considerado um dos itens dos direitos humanos, porque tudo o que precisa ser feito necessita de dinheiro?, diz. Para potencializar ainda mais o seu projeto de combate à pobreza utilizando o crédito, Yunus resolveu priorizar o atendimento às mulheres no Grameen Bank. Na instituição bancária, 95% dos clientes são do gênero feminino. Vale ressaltar que Bangladesh é um país de religião muçulmana, onde as mulheres tradicionalmente interagem apenas nas esferas privadas da sociedade. ?Em todas as culturas percebemos que é melhor emprestar o dinheiro para a mulher, que é quem mais sente na família o drama da pobreza. Além disso, passando o dinheiro para a mulher, os filhos são beneficiados diretamente?, defende. Entregando dinheiro nas mãos das mulheres, Yunus emancipou-as e estabeleceu uma revolução feminista contra o patriarcalismo que derrubou, inclusive o costume do dote em Bangladesh.

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