Economia
Financiamentos diminuem a informalidade
PATRYCIA MONTEIRO Como fomentador das atividades produtivas entre excluídos do sistema bancário tradicional, o microcrédito traz consigo uma tendência macroeconômica muito importante: a retirada de uma grande massa de trabalhadores da informalidade para a formalidade. ?A alavanca inicial do crédito pode impulsionar o crescimento dos pequenos negócios fazendo com que os empreendedores busquem a formalização para poder interagir com o mercado?, explica. Nesse sentido, há dois indicativos no levantamento realizado pelo Banco do Cidadão que confirmam essa inclinação, embora não haja um índice específico sobre a migração nos negócios informais para a formalidade. Entre os clientes que obtiveram crédito na instituição, 88,06% desenvolvem atividades sem nenhum registro comercial. Apenas 11,94% estão com sua documentação regularizada. No primeiro pedido de empréstimo, a maior parte dos clientes, 59,91% deles, recebem uma quantia de até R$ 500 de financiamento e, em segundo lugar, apenas 35,11% recebem valores entre R$ 501 e R$ 1.000. A partir da renovação dos contratos, no entanto, verifica-se um aumento nos valores concedidos, indicando que os negócios cresceram e que o potencial de pagamento do cliente acompanhou esse ritmo. Vale ressaltar que o Banco do Cidadão não concede um volume de dinheiro incompatível com a capacidade de pagamento de seus clientes. Do segundo empréstimo em diante, mais da metade dos empreendedores da instituição, cerca de 53%, saltam para o patamar de R$ 501 a R$ 1.000 e cresce a demanda por financiamentos da ordem de R$ 1.000 a R$ 1.500. (ver gráfico). Um bom exemplo dessa evolução promovida pelo microcrédito é a cabeleireira Régia Maria Alves. Trabalhando sem folga, ela e a mãe, sua sócia no salão de beleza, puderam investir na aquisição e reforma do estabelecimento que teve a clientela ampliada ao longo dos anos. Cliente do Banco do Cidadão e do Crediamigo do BNB, na sua opinião os juros das operações financeiras são fáceis de pagar. ?Começamos pequenininhas; com o crédito investimos primeiro na compra de material para o salão e depois passamos a revender esses produtos para as clientes. Graças ao retorno, buscamos outros financiamentos e resolvemos modernizar nossa estrutura e equipamentos?, explica. Trabalhando no mesmo lugar onde mora, há dois anos a cabeleireira deu entrada nos papéis para formalizar seu negócio. Hoje, ela divide com a mãe os lucros que obtém com os R$ 2 mil mensais de faturamento que tira do salão. Por terem os rendimentos mais altos da casa, em uma família formada ainda pelo pai, dois irmãos e uma irmã, as duas sócias dão apoio financeiro aos outros membros do clã. ?Os homens não ficam chateados com o nosso sucesso, pelo contrário, vibram com a nossa força e independência?, conta Régia.