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PRÁTICA DE REVELAR FOTOGRAFIAS RESISTE AO TEMPO EM ALAGOAS

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Se tem uma coisa que o ser humano gosta é de relembrar momentos. E as fotografias são o maior símbolo disso, sejam elas armazenadas em mídias sociais, sejam elas reveladas em papel impresso. Isso mesmo. Apesar do campo digital ter tomado espaço no mercado fotográfico, a cultura de guardar momentos em álbuns ainda resiste. Há quem ainda trabalhe com revelações. E se existe quem fature com essa dinâmica, é porque há consumidores na praça. Larissa Estevão empreende no ramo das revelações fotográficas há três anos. Ela e a sócia Pooline Rocha, de 26 e 27 anos respectivamente, até que usam as redes sociais para divulgar o trabalho das duas. Mas o material vendido mesmo é palpável, impresso, como antigamente. Ela conta que as fotografias reveladas são geralmente vendidas a clientes que querem presentear. As imagens são postas em álbuns, mas também em cápsulas - que são caixinhas personalizadas para guardar as revelações. “A fotografia é um investimento a longo prazo e todo esse acesso que temos às mídias sociais hoje faz com que não percebamos o real valor daqueles registros. Nós acreditamos e incentivamos as pessoas a revelarem essas memórias do dia a dia que ficam perdidas no rolo de câmera, já que há alguns anos temos perdido esse hábito. Estamos, aos poucos, criando um movimento de resgate e valorização da fotografia impressa”, expõe a empreendedora Larissa Estevão, cuja loja virtual se chama Retrato em Papel. Ela conta que os clientes entram em contato, selecionam as fotos, enviam-nas por e-mail e, após o período de confecção, o material é enviado a domicílio. De 2019 para cá, Larissa acredita que já atendeu mais de 1.400 pessoas. Desde clientes que só contrataram os serviços uma vez, àqueles que foram fidelizados, o que representa a maioria, segundo ela. Geralmente, o mesmo cliente, de acordo com Estevão, retorna a cada três meses em busca de novas confecções. “Hoje nós temos uma busca grande por pessoas de idade entre 25 e 35 anos, em sua maioria mulheres que cresceram com esse hábito familiar e querem perpetuar em suas famílias. Geralmente estão começando uma nova família e são pessoas que também gostam de presentear com significado, então com frequência nos procuram para surpreender com presentes memoráveis”, conta a empreendedora que afirmou receber mensalmente de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil, no entanto, por conta da situação financeira em crise do país, ela diz que esse valor tem caído pela metade. Para Larissa, as fotografias reveladas apresentam uma estimativa de duração a longo prazo, em detrimento das redes sociais, onde é possível perder os registros a qualquer momento.“Muitas pessoas acabam deixando de revelar fotos e montar álbuns por acreditar que aquelas fotos sempre estarão ali, mas falo por experiência própria que, num piscar de olhos, perdemos vários anos de registros por um simples bug ou exclusão de uma rede social, como aconteceu com o Orkut e Fotolog”, diz. Fotógrafo há meio século, José Ivanildo trabalha registrando momentos especiais na vida das pessoas há 48 anos. Casamentos, formaturas, batizados, são algumas das ocasiões que fazem parte do seu currículo. Pelo tempo de trabalho, ele viu as principais mudanças na área, desde a disseminação das imagens coloridas pelo Brasil, o processo de revelações que só ocorria em outros estados e durava 15 dias para entregar as fotos aos clientes, a comercialização de monóculo, até a adaptação aos meios digitais. “No campo da fotografia, desde que eu comecei, em 1976, ela sempre foi modificando. E sempre aparecia alguém que corria na frente. Mas o fotógrafo nunca deixou de trabalhar porque tem muita gente que prefere fotos digitais, mas tem também muita gente que prefere fotos reveladas em papel fotográfico. Hoje mesmo continuo fotografando. Não como antes, mas tenho meus trabalhos”, afirma. José Ivanildo conta à Gazeta de Alagoas que a maioria dos clientes hoje armazenam as imagens em computadores, celulares e redes sociais. Ele registra os momentos e vende os arquivos. “Mas temos clientes com fotos reveladas. E não tem perfil. São pessoas que já perderam muitos trabalhos digitais que já fizeram. Celular é roubado, celular leva queda e quebra, computador o HD queima e não tem como recuperar a foto e esses [clientes] que já perderam querem o próximo registro no papel, porque foto do papel não destrói , não passa vírus, dura ao longo do tempo”, relata e acrescenta: “Eu tenho fotos das minhas filhas num post de parede com seis anos de idade, hoje ela tem 32 anos e as fotos que tirei do digital delas não tenho mais nenhuma. Mas aquelas que eu tenho impressas, tenho todas até hoje”, finaliza ele. A Defensora Pública Rossana Rodrigues também costuma guardar as imagens de forma física. Com elas, a defensora diz que presenteia parentes, assim como decora a casa e eventos especiais.

“Principalmente após o nascimento da minha filha eu senti necessidade de imprimir fotos, de ter à mão as memórias de tantos momentos especiais, uma vez que quando a gente tira as fotos e guarda em mídia geralmente não vemos mais nunca, e com elas impressas inevitavelmente iremos ver e recordar esses momentos importantes. Hoje eu utilizo as fotos impressas para presentear e decorar minha casa e eventos especiais”. A jornalista Jamylle Bezerra é uma cliente assídua de lojas que trabalham com revelações de imagens, a ponto de, em um único pacote de compra, ela revelar 500 fotos. “Existe uma relação afetiva no ato de revelar uma fotografia. É materializar algo que estava no rolo da câmera do celular e que, provavelmente, seria esquecido por lá”, diz, afirmando que costuma fotografar viagens em família, momentos inusitados na convivência familiar, de aniversário, e até do primeiro ano escolar do filho, o pequeno Théo.

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