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Brasil pode ser prejudicado por aumento nos juros americanos

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A economia brasileira pode sofrer impacto negativo após o aumento, hoje, dos juros nos Estados Unidos. A decisão também pode atrapalhar a política do Banco Central (BC) de reduzir gradualmente os juros no país. Isso porque o rendimento das principais aplicações financeiras do mundo terão de subir, para manter a mesma atratividade em relação aos papéis do Tesouro dos EUA, considerados de risco zero. Ao mesmo tempo, as aplicações nos títulos do governo dos EUA devem ?sugar? investimentos até então de maior risco - como ações, dívidas de empresas e governo, moedas -, o que tende a tirar dinheiro do Brasil e de países emergentes em geral. Como fator atenuante dessa tendência temos o fato de que o aumento dos juros nos EUA era amplamente esperado pelos mercados internacionais e já havia sido ?precificado? - ou seja: já estava embutido nas taxas de juros e preço de ações e títulos de dívidas. Outro fator minimizador é que o aumento dos juros nos EUA foi de apenas 0,25 ponto percentual, o que eleva a taxa para 1,25% ao ano, ainda em patamar de 1961 (em novembro de 2002, o FED baixou os juros de 1,5% para 1,25%). Mundo Com rendimento maior, os títulos do governo norte-americano - considerados as aplicações financeiras mais seguras do mundo - atraem investimentos que, em tese, se sujeitariam a riscos maiores, como ações, dívidas públicas e privadas e o câmbio de moedas. Na prática, o aumento dos juros nos EUA motiva uma completa realocação dos investimentos a partir de novas percepções de risco. Explicando: como o investimento de risco zero paga um juro maior, quem aceitava correr um pequeno risco para ter um rendimento um pouquinho melhor não tem essa necessidade - pois pode ter o mesmo ganho sem risco algum. O mesmo acontece para os investidores mais arrojados que se submetiam a um risco maior ainda para ganhar bem mais. Com o aumento dos juros pagos, esse investidor não precisa correr tamanho risco para ganhar a mesma coisa. Por risco, entenda-se simplesmente a possibilidade remota, eventual - ou mesmo improvável - de não receber o dinheiro investido. E assim sucessivamente, até chegar a riscos muito elevados de inadimplência, que exigem remunerações compatíveis para cobrir eventuais (e prováveis) quebras nos compromissos (ou seja: calote). O mercado considera como de alto risco papéis de países emergentes - como o Brasil -, além de títulos de empresas em dificuldades financeiras. É por isso que o aumento nos juros norte-americanos quase sempre coincide com o retorno de dinheiro aos EUA, valorização internacional do dólar e melhor financiamento do déficit das contas externas americanas. Esses movimentos são ainda acompanhados pela diminuição dos investimentos em países emergentes e pelo fim do dinheiro barato disponível para esses países.

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