Economia
Argentina libera importa��o de carne do BR
Argentina decidiu retomar as importações de carne brasileira, que estavam suspensas após a confirmação de foco de febre aftosa no Pará, no mês passado. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Maçao Tadano, as exportações brasileiras para a Argentina poderão ser retomadas a partir da meia-noite de ontem. O fim do embargo argentino foi informado oficialmente ao governo brasileiro por volta das 12h de ontem pelo presidente do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Alimentar da Argentina (Senasa), Jorge Amaya. Tadano disse que a suspensão só não será imediata porque o Senasa enviou, ao longo da tarde de ontem, comunicados aos postos de fronteira sobre a normalização da entrada de carne brasileira no país. A Argentina havia suspenso as importações de qualquer tipo de carne bovina ou suína produzida no Brasil no último dia 23 de junho, após decisão semelhante tomada pela Rússia. O foco de febre aftosa foi registrado no município de Monte Alegre, no noroeste do Estado do Pará. Esse foi o primeiro foco registrado no país após 34 meses e está localizado numa área ainda em fase de implementação do sistema de defesa sanitária animal. Diferentemente da Rússia, que manteve a suspensão para as importações de carne proveniente do Estado do Mato Grosso, apesar do fim do embargo para o restante do país anunciado nesta semana, a Argentina não impôs restrições para acabar com o bloqueio. Relações preservadas O secretário considerou que o episódio envolvendo o embargo argentino à carne brasileira não abalou as relações entre os dois países. Tadano evitou comentar, no entanto, o tempo levado pela Argentina para analisar as informações prestadas pelo Brasil sobre o rebanho brasileiro. Há dois dias, o Ministério da Agricultura forneceu mais informações às autoridades sanitárias argentinas sobre a identificação de um foco de febre aftosa em Monte Alegre que levou o parceiro comercial a suspender as importações de carne brasileira. O novo relatório, entregue aos argentinos durante o Comitê Veterinário Permanente da América do Sul, em Montevidéu, influenciou no fim do embargo à carne brasileira, que começou a vigorar na semana passada. Governo brasileiro Na semana passada, fontes do Senasa disseram que o embargo teria sido uma resposta à falta de atenção do governo brasileiro ao parceiro argentino, já que o Brasil informou a Organização Internacional de Epizootia e Saúde Animal (OIE) sobre a identificação do foco, mas não diretamente à Argentina. Posteriormente, o Senasa afirmou que o governo argentino estava preocupado com o fato de o Brasil não ter identificado a origem do foco da doença no Pará. O embargo afetou as exportações de carne de porco, único tipo de carne que o país vendeu para a Argentina neste ano, cujo volume alcançou 13 mil toneladas até abril. A Rússia também havia suspendido as compras de carne do Brasil, mas levantou parcialmente o embargo e limitou a restrição a produtos originados do Estado de Mato Grosso, por ser uma região produtora de gado e estar próxima ao Estado do Pará. Nesta semana, produtores de carne da Irlanda também pediram àquele governo a suspensão das compras de carne brasileira.