Economia
Leite e iogurte fazem produtor ter mais lucro
PATRYCIA MONTEIRO Osmando Xavier tinha como patrimônio uma fazenda que faz parte de sua família há de 50 anos. Com criação de gado, ele costumava vender todo leite produzido na propriedade para as grandes indústrias. Há quatro anos, entretanto, ele decidiu redirecionar a sua atividade e pensou em entrar no mercado de agroecologia produzindo laticínios orgânicos, mas queria conhecer melhor o mercado consumidor. Após o período de maturação, em junho, o empreendedor entrou no mercado com a marca Timbaúba, com leite integral e desnatado, iogurtes de frutas e manteiga ? todos com a certificação dada pelo Instituto Biodinâmico que fica em Botocatu (SP), a única certificadora no Brasil com reconhecimento internacional. Cheio de projetos, Xavier mostra seu apetite por novos negócios ?O mel nordestino orgânico tem excelente receptividade na comunidade européia?, diz, sonhando em euros, explicando que, por causa da vegetação nativa nas áreas onde não há monocultura, o mel da região apresenta grande concentração de substâncias medicinais. Com 20 colméias para iniciar a atividade, ele explica que a diferença entre o mel orgânico e o convencional não vem do manejo, e sim da área de onde ele é recolhido. ?Em um raio de 3 quilômetros não pode ser identificado o uso de nenhum herbicida ou inseticida nas áreas vizinhas?, explica. O preço também faz a diferença. O mel comum pode ser vendido por até R$ 2,2 mil a tonelada. Já o produto orgânico, por sua vez, é comercializado por R$ 3 mil a tonelada. Pensando no mercado de exportações, Osmando Xavier calcula que, para ter um volume de produção compatível com a demanda externa, seria necessário ter no mínimo 200 colméias. Além disso, ele precisará também construir uma casa de mel, para poder beneficiar o seu produto. Imaginando fazer esses novos investimentos nos próximos dois anos, por enquanto ele está centrando toda sua energia para os laticínios lançados. No primeiro mês de atuação, o empreendedor atende o mercado interno de Alagoas e está vendendo seu produto em supermercados como Palato e Via Box, e está em fase de negociação com o Bompreço. Seus produtos também podem ser encontrados na feira de orgânicos que acontece toda sexta-feira no bairro do Jaraguá e, além disso, pode ser entregue em domicílio. Outros estados estão querendo comprar seus produtos e, em breve, eles estarão nas prateleiras do Recife e Rio de Janeiro. ?A demanda é grande, por isso precisamos crescer?, diz acrescentando, sem modéstia, que quando o consumidor conhece seu produto, não quer mais nenhum outro.