Economia
Ind�stria tem a maior produ��o da hist�ria
A indústria brasileira bateu recorde histórico de produção de bens em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção cresceu 2,2% em maio, pelo terceiro mês consecutivo, levando o total de bens fabricados no país ao maior patamar desde que o IBGE começou a fazer a Pesquisa Industrial Mensal, em janeiro de 1991. O recorde anterior havia sido atingido em novembro de 2003. O total produzido em maio é 2,2% maior do que a antiga marca histórica. Há cerca de 10 dias, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, alertou sobre o pico da produção industrial em maio. Mas o IBGE trouxe uma novidade: além de ser influenciada pelo crescimento das exportações e do agronegócio, como vem ocorrendo desde o ano passado, a quebra do recorde também foi puxada pela expressiva expansão do mercado interno. Prova disso seria o crescimento das indústrias calçadista (8%), farmacêutica (4,1%) e têxtil (2,6%). O crescimento do mercado interno reflete a lenta recuperação do crédito, da renda e do emprego no país, que injetaram mais recursos na economia e permitiram aos trabalhadores consumir mais. A indústria brasileira apresentou crescimento em todas as comparações. Em relação a maio do ano passado, a expansão da indústria foi de 7,8%. Em abril, a indústria teve crescimento de apenas 0,1% em relação a março. Mesmo assim, o resultado foi considerado positivo porque o setor manteve-se na trajetória de crescimento. Em 2004, a alta da produção foi de 6,5%. Nos últimos 12 meses, até maio, o crescimento da indústria foi de 2,8%. Os produtos chamados de semi e não-duráveis (alimentos, remédios, bebidas, vestuário e calçados) tiveram aumento de 1,7% de abril para maio. Já os bens de capital (máquinas e equipamentos) apresentaram expansão de 3,7%. Bens intermediários e bens de duráveis (carros e eletrodomésticos) registraram aumento de 1,7% e de 3,2%, respectivamente. A Pesquisa Industrial do IBGE é realizada mensalmente em todo o país. A pesquisa cobre 76 subsetores industriais e mostra comportamento da produção física do setor, ou seja, se refere à quantidade do que foi produzido pela indústria nacional. A recuperação mais nítida da indústria voltada para o mercado interno é fundamental para a sustentação do crescimento econômico do país, segundo o IBGE. A retomada da produção industrial - que cresceu 2,2% em maio, a terceira alta seguida- continua sendo liderada pelos segmentos exportadores e ligados ao agronegócio. No entanto, o IBGE constatou uma reação da produção voltada para o mercado interno, como alimentos, calçados e roupas. Isso é importante porque a indústria brasileira exporta apenas 15% de sua produção. Ou seja, qualquer movimentação nos segmentos associados ao consumo interno terá forte impacto no setor e no crescimento do Brasil. Cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzida pelo país) corresponde ao consumo das famílias. ?Para o PIB crescer, é preciso crescer internamente. Setores como o de investimentos (máquinas e equipamentos) e de semi e não-duráveis são chave para o crescimento?, disse a gerente da coordenação de Indústria do IBGE, Isabella Nunes. Na sua avaliação, o aumento do consumo interno deveu-se a efeito multiplicador do crescimento das exportações brasileiras e do agronegócio sobre a economia. ?Esses efeitos multiplicadores já atingiram o mercado de trabalho e a renda real dos trabalhadores, causando impacto positivo no consumo interno. É um setor que vem se recuperando e o mês de maio mostra com mais clareza os resultados positivos?, afirmou. Empresas se animam Há um aumento da atividade corporativa no Brasil, um sinal de que as companhias começam a se mover para se beneficiar do cenário de crescimento econômico sustentável. A avaliação é do chefe de pesquisa do Unibanco, Sérgio Goldman. Para sustentar sua opinião, ele cita os últimos anúncios ou negócios fechados por empresas brasileiras. Exemplos: o grupo têxtil Coteminas vai concluir a aquisição da Santanense, empresa têxtil; a holandesa SHV vai assumir o controle da Supergasbrás, distribuidora de GLP, por US$ 100 milhões; e a concessionária de rodovias CCR está interessada em adquirir as concessões das rodovias Dom Pedro 1 e Carvalho Pinto, em São Paulo, que serão privatizadas pelo governo paulista no segundo semestre.