Economia
Lula aposta no fim da crise com Argentina
Puerto Iguazú - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está tranqüilo com a possibilidade de o Brasil e a Argentina encontrarem uma solução satisfatória para ambos os lados, referindo-se ao conflito comercial provocado pela decisão de Buenos Aires de restringir as importações de eletrodomésticos brasileiros. A declaração foi dada durante entrevista coletiva de quatro chefes de Estado, que participaram da 26ª reunião de Cúpula do Mercosul. Sentado ao lado do presidente argentino, Néstor Kirchner, Lula afirmou que ?os problemas existem para que possamos resolvê-los? e justificou o conflito como resultado do crescimento econômico nos dois países e da intensa relação comercial entre eles. ?Deus queira que outros problemas aconteçam por causa do nosso crescimento, do nosso desenvolvimento e dos superávits comerciais que registramos?, afirmou o presidente. ?O importante é que o Brasil e a Argentina entendam que é preciso crescer?. Lula acentuou que o governo brasileiro está tomando iniciativas necessárias para resolver a pendência o mais rapidamente possível. Da mesma forma, o presidente mostrou otimismo com relação aos resultados obtidos nessa reunião de cúpula, apesar do atraso na agenda de solução de problemas típicos do bloco, que ficaram claros no documento final. Lula insistiu que ?o Mercosul nunca esteve tão bem como agora?. ?O Mercosul está passando por um momento de crescimento e de recuperação das economias dos seus países. Tanto é que vários países querem se associar ao bloco?, declarou o presidente, referindo-se à intenção manifestada pelo México e pela Venezuela. Trégua Ministros brasileiros e argentinos estabeleceram trégua de uma semana no conflito comercial provocado pelas medidas de restrição às importações de eletrodomésticos do Brasil adotadas pela Argentina. O país vizinho comprometeu-se a não regulamentar a medida pelo menos até a próxima quarta-feira, quando representantes governamentais e do setor privado se reunirão em busca de uma alternativa. Os dois governos também iniciarão, dentro de 15 dias, a discussão de uma política estratégica de desenvolvimento. A trégua foi obtida a partir da conversa dos ministros da Fazenda, Antônio Palocci Filho, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, com o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna. ?Não haverá regulamentação da medida enquanto os dois lados estiverem negociando. Mas, a partir de quarta-feira, caberá ao governo argentino decidir se vai ou não aplicá-las?, disse Furlan. Os dois países concordaram com a discussão de uma política estratégica comum para estimular a competitividade dos setores produtivos. Para Furlan, essa alternativa evitará que sócios do Mercosul continuem ?se esgrimindo? em questões pontuais. O ministro disse que mostrou a Lavagna provas de que o aumento das vendas brasileiras de eletrodomésticos este ano é inferior as de 2001, antes da grave crise argentina.