Economia
Empres�rios se unem para melhorar porto
PATRYCIA MONTEIRO Em Alagoas, a administração do Porto de Maceió e os empresários da agroindústria canavieira trabalham em regime de parceria. E não é por acaso. O setor é o principal cliente do porto e é por ele que se embarca o maior volume de produtos exportados pelo setor sucroalcooleiro. Pensando nisso, os produtores de açúcar e álcool do Estado estão se organizando para fazer melhorias na infra-estrutura do porto para aumentar a competitividade tanto do porto quanto das operações de embarque e desembarque das mercadorias. ?Estamos em fase de discussão do projeto?, diz Ricardo Moura, diretor-comercial do Grupo João Lyra e que está à frente da empreitada. Segundo o executivo, existe uma grande disposição por parte dos empresários do setor sucroalcooleiro, mas o grande problema no estudo de viabilidade é que se descobriu que a obra teria custos acima do previsto. ?Como o investimento vai ser dividido entre vários empresários precisamos conversar melhor sobre o assunto?, afirma. Está previsto um aumento da capacidade de tancagem de álcool, a construção de novas linhas de bombeamento e aumento da capacidade de carregamento e estocagem. Outro grande investimento está previsto na dragagem dos berços de açúcar e de granéis líquidos. ?O que em qualquer outro país do mundo, a responsabilidade por tais melhorias deveriam ser do Porto e não dos usuários, mas tendo em vista a total falta de recursos, estamos analisando a possibilidade de efetuar a dragagem em troca de desconto nas tarifas futuras?, esclarece Moura, mencionando ainda que, por causa da precariedade dos guindastes do porto, o embarque do açúcar se torna mais lento. Essa mesma movimentação está acontecendo no Porto do Espírito Santo, por onde é escoada a produção de açúcar e álcool de Minas Gerais ? onde vários alagoanos expandiram seus negócios. ?Em terras capixabas o investimento no terminal de álcool é exclusivamente do Grupo João Lyra, e mais dois outros produtores de outros estados. Estamos neste momento encaminhando nosso projeto para aprovação dos órgãos competentes e a expectativa é a de que o terminal esteja pronto em maio de 2005 para atender ao início da safra do Estado de Minas Gerais, com capacidade estática de 40 mil metros cúbicos?, informa. ?As melhorias previstas para o Porto de Maceió vão desde o aumento de capacidade de estocagem de açúcar e álcool, passando pelo incremento da velocidade de carregamento destes dois produtos e, por fim, o aumento do calado dos berços de açúcar e álcool, que proporcionará o recebimento de navios com capacidades de carga acima do que estamos recebendo hoje?, afirma. Só a título de esclarecimento, o ?calado? a que se refere Moura é a profundidade medida em metros ou em ?pés? de cada berço de embarque, ou píer, do porto. Se tudo der certo, em breve o Porto de Maceió vai receber navios de grande porte, que devem dominar o setor de transporte de mercadorias.