Economia
Cota��o internacional mant�m ritmo do setor
PATRYCIA MONTEIRO Se as expectativas menos otimistas se confirmarem, o excesso de chuva deve reduzir em 10% a produção de cana-de-açúcar no Estado, mas isso não vai atrapalhar os resultados bem-sucedidos na balança comercial do setor sucroalcooleiro. Com volume pluviométrico acima do esperado, o setor de agroindústria canavieira alagoano se deparou com duas dificuldades que podem atrapalhar o desempenho da safra de 2004/2005, que começa em setembro. Por causa dos últimos temporais, a cana floresceu ? o que significa o amadurecimento precoce, trazendo um aproveitamento baixo da matéria-prima. Outro complicador é que, por causa da umidade excessiva, a praga da cigarrinha se propagou no canaviais. O problema é que, ao sugar o caldo da cana-de-açúcar, o inseto encontrado nas plantações inocula uma toxina na planta, também prejudicando a produtividade. Apesar de interromper uma série de seis supersafras, o setor vai conseguir negociar bem seus produtos fora do país. Isso porque a seca que tomou conta da Índia ? um grande exportador de açúcar mundial ? deve manter o patamar de preços do açúcar e do álcool sob controle, por causa da demanda que deve permanecer alta. Só para relembrar, na safra de 2003/2004 foi mantido um bom desempenho na produção de cana no Estado. No período que terminou em abril deste ano foram produzidos 650 milhões de litros de álcool, 14% a mais em relação à safra anterior, e mais 2,3 milhões de toneladas de açúcar ? representando um incremento de 12%. Traduzindo em cifras, só com as exportações, neste período, o setor faturou mais de R$ 900 milhões. ?Com este desempenho Alagoas realizou negócios externos que representaram um terço das exportações brasileiras de álcool e vendeu 1,6 milhão de toneladas de açúcar ? 20% a mais que o ano anterior?, afirma Cícero Péricles. Na safra de 2002/2003, que colheu 23,8 milhões de toneladas de cana, foram produzidos 41 milhões de sacos de açúcar e 570 milhões de litros de álcool. No total foram quase R$ 2 bilhões de faturamento. A forte participação alagoana na balança comercial do país garantiu presença do setor sucroalcooleiro do Estado no ranking dos 250 maiores exportadores da Secretaria do Comércio Exterior (Secex) ligada ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. Como representante do pool formado pelas empresas do açúcar e do álcool de Alagoas, a Coopertrading aparece na lista na 99a posição, com faturamento de US$ 122,16 milhões. No ranking ainda despontam outras empresas alagoanas como a Usina Caeté (grupo Carlos Lyra), na 121a posição e US$ 96,7 milhões de faturamento, seguida pelas usinas Coruripe (Grupo Tércio Wanderley) ? 176a posição e US$ 65.69 milhões ? e a Usina Laginha (João Lyra), em 226o lugar e receita de US$ 47,12 milhões.