Economia
Agroind�stria canavieira diversifica produtos para crescer na exporta��o
PATRYCIA MONTEIRO Como uma revolução silenciosa, há cinco anos a pauta de exportação do setor de açúcar e álcool de Alagoas vem mudando de perfil. O maior exportador do Estado, que no ano passado vendeu para o exterior mais de US$ 315 milhões, vem adaptando sua produção de acordo com as novas demandas do mercado internacional. Assim, graças à seca na Índia, os empresários alagoanos passaram a produzir mais açúcar cristal ensacado ? hoje um produto em alta no mercado (como se pode observar no gráfico ao lado). O mesmo aconteceu com o melaço que, desde 1999, deixou de fazer parte do conjunto de produtos exportados e que voltou em 2002 e vem crescendo por causa do mal da vaca louca ? causado pela alimentação à base de produtos de origem animal, fazendo com que alternativas de origem vegetal, como o melaço, entrem na dieta dos rebanhos. Outra tendência que ganha contornos na atualidade é em relação ao álcool. Por causa da demanda interna pelo produto, que deve crescer nos próximos anos devido, sobretudo, à entrada dos carros com motores bicombustíveis, e também pela busca mundial crescente por alternativas menos poluentes que a gasolina e o diesel, tudo isso deve tornar o preço do álcool maior do que o do açúcar, fazendo com que os empresários redirecionem suas produções no Estado. ?No sentido empresarial, essa diversidade de produtos exportados é possível graças à capitalização do setor, que registrou seis safras recordes sucessivas?, diz Cícero Péricles, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pesquisador da agroindústria canavieira. De acordo com o economista, o mercado garantido e o domínio do circuito produtivo de mercadorias conhecidas ? cana, açúcar, álcool e melaço ? e o aproveitamento integral do bagaço, na geração de energia, e do vinhoto, na fertirrigação, também elevam a competitividade do setor. No ano de 2003, os produtores de açúcar e álcool do Estado destinaram 60% da produção local para o exterior. O mercado alagoano consome apenas 5% de tudo que é produzido. ?Trata-se de uma estratégia para evitar o aumento da disputa pelo mercado interno de açúcar e álcool, uma forma de se afastar da concorrência com os estados do Centro-Sul?, afirma o doutor em economia. No seu ponto de vista o perfil exportador do segmento sucroalcooleiro alagoano deve se acentuar nos próximos anos. ?Alagoas exporta tanto quanto Pernambuco, que é mais industrializado e tem três vezes mais população. Esse bom desempenho pode ser atribuído às exportações alagoanas de derivados de cana-de-açúcar que, no ano passado e no primeiro trimestre desse ano, foram responsáveis por 94% do total vendido ao exterior.