Economia
Leis chinesas prejudicam Embraer
A Embraer entregou, há 15 dias, os dois primeiros aviões que construiu na China, mas está longe de garantir o sucesso de seu empreendimento na economia que mais cresce no mundo. O principal desafio da empresa é convencer os burocratas de Pequim a modificar a estrutura do setor de aviação, cujas regras dificultam a utilização de aviões regionais e estimulam a compra de aeronaves de grande porte. Sem essa alteração, as empresas aéreas não terão estímulo para comprar os aviões de até 50 lugares fabricados pela Embraer, que têm um custo de operação maior que os de aeronaves de grande porte. Nesse cenário, a aposta da companhia brasileira no enorme mercado chinês estará ameaçada. Depois de tentativas frustradas de vender aviões para a China, a Embraer decidiu se instalar no país em 2002 e começou sua operação em 2003. Hoje, é a única empresa estrangeira de aviação que produz aeronaves no país - a Boeing também está presente na China, mas fabrica apenas peças que são usadas na montagem de aviões em outros países. Como muitas multinacionais que colocaram o pé na China, a Embraer se associou a uma estatal local, a Avic II, mas conseguiu autorização para ter o controle da empresa, com 51% do capital. Normalmente, os estrangeiros que se associam em joint ventures com os chineses podem ter, no máximo, 49% das ações da empresa. A Embraer argumentou que só poderia transferir tecnologia e sua cultura empresarial se tivesse o domínio da nova empresa, que se chama Harbin Embraer. Agora, espera que o governo mude as regras da aviação. ?Com a estrutura atual, as empresas não têm interesse em operar aviões de pequeno porte?, diz Guan Dong Yuan, representante-chefe da Embraer na China.