Economia
Ind�stria do a��car espera mais exporta��es
PATRYCIA MONTEIRO O anúncio de que a Comissão Européia pretende reduzir os subsídios oferecidos aos produtores de açúcar europeus foi uma boa notícia para a agroindústria canavieira de Alagoas. Embora seja um plano e não uma medida efetiva ? já que depende da aprovação no âmbito da União Européia, que só entrará em vigor em 2005 ? a discussão do Executivo da União européia foi recebida com otimismo pelos empresários do setor que acreditam que a intenção tem tudo para se concretizar. ?Atualmente, a União Européia é o segundo maior exportador de açúcar no mundo, perdendo apenas para o Brasil?, informa José Carlos Maranhão, líder da usina Santo Antônio. Segundo o empresário, o continente europeu só consegue manter esse bom desempenho mundial nas exportações de açúcar graças aos subsídios recebidos pelos produtores de lá. ?Nosso açúcar tem preços mais competitivos?, diz sem falsa modéstia. ?Aos poucos, a própria Europa vai percebendo que não vale a pena sacrificar o consumidor interno com os altos preços dos produtos locais para manter um número pequeno de empregos?, diz, mencionando que apenas 5% da população européia se dedica à atividade no campo. De fato, os custos de produção de uma tonelada de açúcar no Brasil ficam em torno de US$ 170, enquanto o açúcar europeu, produzido a partir da beterraba, fica em US$ 700 a tonelada. Mesmo com essa diferença, a União Européia consegue exportar, através dos fortes subsídios, quase três milhões de toneladas, gastando quase US$ 500 por cada tonelada, que é vendida no mercado internacional por US$ 200. Só no ano passado esses subsídios somaram US$ 2 bilhões em investimentos. Mas, segundo o economista Cícero Péricles, um pesquisador da agroindústria canavieira de Alagoas, o plano de redução de subsídio não deverá trazer, de imediato, alteração nas exportações brasileiras para a Europa. ?A União Européia importa, atualmente, apenas 5% do açúcar que consome ? produto que vem das ex-colônias européias no Caribe ou África, em cotas especiais. Portanto, deverá acontecer uma acomodação, paulatina, com a ampliação das cotas das ex-colônias?, afirma. Na visão do economista, por outro lado, o Brasil deverá aumentar suas exportações para terceiros países que, hoje, recebem o açúcar subsidiado da Europa. ?Com a saída dos europeus, o comércio com os países árabes e asiáticos estarão mais abertos para os produtos do Brasil, Tailândia e Austrália?, enumera Cícero Péricles. Segundo ele, outra razão que está levando a União européia a repensar os subsídios oferecidos à produção de açúcar é a pressão dos países produtores de açúcar sem subsídio, entre eles o Brasil, que trabalham na Organização Mundial do Comércio para que essa prática desleal seja extinta. ?Ao sair das fronteiras, o açúcar brasileiro sofre interferências que prejudicam a concorrência perfeita, apresentado-se sob a forma de impostos de importação e cotas estipulando as quantidades que podem ser fornecidas e toda uma série de artimanhas para evitar ou dificultar a entrada de nosso produto?, diz.