Economia
Reajuste piora crise das seguradoras de sa�de
São Paulo - As seguradoras e operadoras de planos de saúde estão enfrentando sua maior crise desde a regulamentação desse segmento, em 1998. Executivos das grandes companhias se reuniram durante a semana para decidir como enfrentar a ?enxurrada? de liminares judiciais obtidas pelos usuários e os órgãos de defesa do consumidor em todo o país contra os últimos reajustes feitos pelos planos de saúde, considerados abusivos. Hélio Novaes, vice-presidente do grupo SulAmérica, controlador da maior seguradora de saúde do país, disse que os reajustes impostos aos clientes dos planos mais antigos - alguns têm até 30 anos de existência no caso da SulAmérica - não repõem ?nem de longe? as perdas sofridas pela seguradora neste período. Mas ?são necessários para manter o equilíbrio financeiro da carteira?. Questionado sobre a dificuldade de os segurados suportarem reajustes tão altos de uma só vez e se há espaço para um parcelamento, Novaes respondeu: ?Estamos dispostos a negociar, desde que seja reconhecido nosso direito aos reajustes?. No limite O desequilíbrio é real e atinge grande parte das empresas do setor. Uma análise dos balanços de 927 seguradoras e operadoras de planos de saúde (de um total de 2.277 registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS), feita pela Capitolio, consultoria especializada nesse segmento, mostra que as operadoras e seguradoras estão trabalhando no limite da liquidez, com R$ 1,20 em caixa para cada R$ 1 de obrigações exigíveis a curto prazo. Como comparação, o índice de liquidez do mercado segurador como um todo é de 2,6 - ou seja, R$ 2,60 em caixa para cada R$ 1 em despesas exigíveis a curto prazo. O faturamento global com a venda de planos cresceu 7,5% em 2003, o que representou um encolhimento em relação à inflação medida pelo IGP-M, de 8,69%. Analisando o resultado líquido, a consultoria concluiu ainda que 34% das empresas fecharam o ano no prejuízo. O índice de sinistralidade (indenizações pagas sobre prêmios), entre 78,7% a 80,5%, é o mais alto de todos os ramos do mercado segurador, sendo que sete operadoras tiveram mais de 100% de sinistralidade. Desequilíbrio Há anos os especialistas na área vêm alertando para o desequilíbrio financeiro causado pelo modelo implantado pela medida provisória que regulamentou a Lei 9656/98, que criou o arcabouço do sistema de saúde suplementar no país. Todo o problema reside na ampliação dos direitos e coberturas dos segurados sem a respectiva ampliação de receitas, no caso dos planos antigos. ?A legislação onerou fortemente as operadoras de saúde com o pagamento de uma infinidade de taxas, publicação de balanços, contratação de auditores e ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS)?, diz Roberto Parenzi, sócio diretor da Capitolio. Isso foi ótimo para o setor, pois trouxe maior transparência e segurança para as empresas e consumidores. Entretanto, ressalta Parenzi, ?os planos antigos não foram calculados para isso? - ou seja, não prevêem arrecadação suficiente para um aumento das despesas. ?Trata-se de uma legislação equivocada, que ampliou os direitos dos segurados para os contratos em andamento?, reforça José Rubens Alonso, sócio e responsável pela divisão de seguros da firma internacional de auditoria KPMG. Por outro lado, diz Alonso, as empresas não são convincentes ao justificar os índices de reajustes adotados.