Economia
Super�vit supera meta do FMI em R$ 13,6 bi
O setor público (União, estados, municípios e estatais) registrou um superávit primário (receita menos despesas, excluídos os juros da dívida) de R$ 46,183 bilhões no primeiro semestre deste ano. O valor supera em R$ 13,58 bilhões a meta de R$ 32,6 bilhões acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o semestre. A economia feita no semestre é equivalente a 5,76% do Pro-duto Interno Bruto (PIB), maior percentual desde 1991, quando o Banco Central (BC) começou a computar esses números. No ano, a economia deve ser de 4,25% do PIB. O superávit primário é o que o país economiza para pagar os ju-ros nominais. Em junho, o superávit primário somou R$ 7,915 bilhões, bastante acima dos R$ 5,839 bilhões economizados em maio. Esse resultado, segundo o chefe do departamento econômico do BC, Altamir Lopes, é o melhor para um mês de junho desde 1991, quando o banco começou a analisar o dado. Segundo o economista, o resultado recorde deste primeiro semestre se deve, em boa parte, ao efeito de sazonalidade, ou seja, no começo do ano o governo tende a gastar menos. ?A partir do segundo semestre há mais gastos que vão pressionar o resultado?, disse. Em junho, o governo central (governo federal, Previdência e Banco Central) contribuiu com um superávit primário de R$ 5,354 bilhões para o resultado consolidado, enquanto os governos estaduais e municipais fizeram uma economia de R$ 1,681 bilhão e as empresas estatais tiveram superávit primário de R$ 880 milhões. No acumulado do ano, a economia foi resultado de superávit primário de R$ 35,586 bilhões do governo central e R$ 10,182 bilhões dos governos regionais. Até o mês de junho, as contas das empresas estatais estão superavitárias em R$ 414 milhões - déficit de R$ 1,15 bilhão das empresas federais e superávits de R$ 1,52 bilhão das estaduais e de R$ 39 milhões das municipais. Em junho, os gastos com juros nominais somaram R$ 9,887 bilhões. Portanto, o resultado primário obtido pelo setor público consolidado, de R$ 7,915 bilhões, não foi suficiente para cobrir toda a despesa com juros do mês, o que resultou em déficit nominal das contas públicas de R$ 1,972 bilhões no período. Em junho de 2003, o déficit nominal foi de R$ 5,928 bilhões. No semestre, o setor público consolidado teve despesas com juros nominais no valor de R$ 61,829 bilhões, que também não foram totalmente cobertas com o superávit primário do período (R$ 46,183 bilhões). Com isso, o déficit nominal das contas públicas no acumulado do ano soma R$ 15,646 bilhões, o equivalente a 1,95% do PIB, o menor desde junho de 2001. No mesmo período de 2003, o déficit nominal acumulado chegou a R$ 34,260 bilhões, o equivalente a 4,74% do PIB do período. O recuo em junho deste ano, segundo Altamir, é resultado da queda nos juros indexados à taxa Selic (juro básico da economia) no acumulado dos últimos 12 meses. ?A tendência do juro é continuar caindo por causa desse recuo do juro acumulado?, disse o executivo do Banco Central. Para o ano, o governo tem a meta de economizar R$ 71,5 bilhões. O valor do semestre, de R$ 46,183 bilhões, segundo Lopes, superou em 41,7% a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o período, de R$ 32,6 bilhões. Esse percentual está entre os maiores já registrados pelo governo nos acumulados do pri-meiro semestre.