Economia
Jacar�s alagoanos conquistam pa�ses �rabes
O maior criatório de jacarés da América Latina, quem diria, está aqui mesmo em Alagoas. Mas surpreendente mesmo é a história do surgimento da Mister Cayman - a primeira e única empresa autorizada pelo Ministério do Meio Ambiente a realizar o abate comercial de jacarés no Brasil. Em 1994, a família Ruffo comprou um sítio em Fernão Velho, situado na capital alagoana. Junto com o marido, a jornalista Maria Cristina Ruffo fez a montagem de alguns tanques visando desenvolver uma criação de peixes, até que três jacarés-do-papo-amarelo resolveram tomar conta do pedaço mudando os planos e traçando uma nova trajetória na vida do clã Ruffo. ?Aos poucos fomos buscando informações e desenvolvendo um manejo próprio para criar os animais e não só descobrimos uma boa oportunidade de negócio como contribuímos para livrar a espécie da ameaça de extinção?, relembra Maria Cristina. E essa retirada foi com folga. Atualmente, no sítio de Maria Cristina, existem 5 mil jacarés. Isto sem mencionar os outros 600 animais que estão na filial recentemente criada em Paulo Afonso, que custou R$ 3 milhões em investimentos. Sem querer falar em cifras, a empreendedora paulistana radicada em Alagoas restringe-se a falar de poucas transações comerciais. Ela informa que a fêmea custa no mercado internacional cerca de US$ 2 mil e o macho US$ 2,5 mil. Embora a empresa esteja localizada em Alagoas, a maior parte da carne de seus animais é vendida na Bahia. Entretanto, o couro dos jacarés já ganhou o mundo. O último negócio fechado foi com príncipes árabes que pretendem revestir os assentos dos seus iates apenas com o couro dos papos-amarelos do Brasil. ?Mas temos boa presença no mundo da moda?, diz, orgulhosa. Segundo Maria Cristina, boa parte do couro produzido pela Cayman é fornecido para designers nacionais do eixo Rio-São Paulo que fabricam sapatos, bolsas e até roupas com o produto. Está nos planos de Maria Cristina Ruffo dar apoio para a formação de uma cadeia produtiva no Estado visando estabelecer aqui um abatedouro frigorífico ? que a empresa pretende montar em no máximo dois meses ? um curtume e uma fábrica de acessórios. ?Quem sabe não introduziremos na cultura local um artesanato com as patas, os ossos e a cabeça do animal?? Para tanto o Banco do Nordeste está criando uma linha de crédito que dará fomento à futura cadeia produtiva. Com o negócio indo de vento em popa, só tem uma coisa que faz a empreendedora virar uma fera. É a caça clandestina dos jacarés que, além de predatória, traz riscos à população, que pode ser contaminada com uma enzima liberada pelos animas mais velhos que não servem para consumo humano.