Economia
Pacote tribut�rio: empres�rios querem mais
Representantes do mercado financeiro e da indústria comemoraram na sexta-feira o anúncio do pacote tributário, aguardado há tempos. Muitos, porém, aproveitaram para pedir que o governo não pare por aí. ?Finalmente?, disse o presidente da Abdib, associação que representa a indústria de base, Paulo Godoy. ?Espero que isso seja só o começo?, afirmou, acrescentando que o governo ?mostrou afinidade com o setor empresarial?. O pacote inclui a redução da alíquota de Imposto de Renda para aplicações em renda variável, de 20 para 15 por cento. O IR também cai a 15 por cento para os investimentos de mais de dois anos em renda fixa. O governo também reduziu a taxação da compra de bens de capital e aumentou a lista dos itens beneficiados. Conforme cálculos divulgados pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, o pacote representa uma renúncia fiscal da ordem de 3 bilhões de reais por ano, que os efeitos sobre a economia devem compensar. ?É um grande sinal do governo, porque ele realmente colocou o mercado de capitais na agenda, valorizou o investimento a longo prazo e mostrou preocupação com a capitalização das empresas?, disse o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, que, no entanto, quer ver o incentivo ir mais longe. ?Não é o ideal, mas vamos trabalhar para isso. O ideal seria voltar aos 10 (por cento) originais e, depois de um determinado tempo, ser zero?, disse Magliano. Para o economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos, Roberto Troster, o pacote foi ?dissonante?. Ele criticou a elevação da alíquota para aplicações em renda fixa inferior a 6 meses em um pacote de desoneração fiscal. Considerou também a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para bens de capital, de 3,5 para 2 por cento, insuficiente. ?Tem que eliminar a tributação, é uma visão míope. Isso diminui o problema, não resolve?, disse Troster, sugerindo ainda a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a isenção da CPMF para operações de crédito. Mineiramente Já os industriais manifestaram maior satisfação com a anunciada redução do IPI. A Abimaq, associação da indústria de máquinas, informou em nota que ?aplaude a decisão?. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) - que participava de encontro das 27 federações estaduais com o governo em Belo Horizonte -, disse que os empresários ficaram ?surpresos com a amplitude do pacote?. Também no encontro, o presidente da Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul, Alfredo Fernandes, gostou de saber que a redução do IPI entra em vigor já este ano. Ele considerou ?uma coisa inédita? o entendimento entre o governo e o setor privado como ocorreu na última sexta-feira. Outro que participava do encontro mineiro, o presidente da Federação das Indústrias de Alagoas, José Carlos Lyra de Andrade, comemorou a ampliação do prazo para o pagamento do IPI. O governo estendeu o prazo de apuração e recolhimento do tributo de 15 dias para um mês.