Economia
Factorings conquistam mercado em Alagoas
CRISTINA LIMEIRA A dificuldade encontrada por empresários de micro a médio porte para a obtenção de crédito nas instituições bancárias tem permitido a expansão da atividade de fomento mercantil em Alagoas. Segundo estimativas, existem cerca de 50 empresas de factoring atuando no Estado e que, juntas, movimentam uma média de R$ 40 milhões/mês. O avanço das factorings também é justificado pela abertura de seu leque de serviços, anteriormente limitado a desconto de cheques e títulos. Hoje, as empresas estão emprestando outras linhas de capital de giro não vinculadas a recebíveis, como por exemplo para a compra de matéria-prima paga diretamente ao fornecedor, e estão procurando se reestruturar para entrar na seleta área de assistência a empresas exportadoras, por meio da antecipação de venda de exportação, que, nos bancos, são chamados de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC). Outro serviço oferecido pelas factorings no Estado, mas ainda de forma embrionário, é o trustee, que consiste em organizar a contabilidade, controlar o fluxo de caixa e administrar contas a pagar e a receber, tendo como pagamento uma comissão que chega a 1% , dependendo do volume de serviços prestados ao cliente. Embora a atividade de fomento mercantil seja desenvolvida desde os primórdios da civilização para viabilizar o comércio mundial, no Brasil o factoring moderno surgiu no início dos anos 80, e, em Alagoas, ganhou corpo na década de 90. ?A atividade nasceu na época da hiperinflação e obteve projeção com o advento do Plano Real?, diz o diretor comercial da Vector Factoring, Luiz Alberto Villar. Mas segundo Villar, apesar de em Alagoas o setor estar avançando ainda há um longo caminho a percorrer. É que por conta da falta de informações, o factoring no Estado ainda é confundido como empresa de mercado financeiro, o que caracteriza uma prática criminosa. Conforme explica Villar, o factoring é regido pelas normas do instituto do direito mercantil e tem por objetivo prestar serviços a micro, pequenas e médias empresas que precisem de apoio operacional e financeiro. A atividade fim resulta na compra à vista de créditos (títulos, notas promissórias, cheques pré-datados) gerados por vendas efetuadas a prazo. A compra do crédito é feita com base em uma taxa média cobrada sobre o valor nominal das duplicatas estipulada pela Associação Nacional de Factoring (Anfac). Até a última quinta-feira, a média do fator compra Anfac era de 4,43% mensais (a taxa varia entre 4% e 6%). Além disso, as empresas cobram uma taxa operacional (ad valorem) em torno de 1%. Já os juros cobrados pelos bancos para o desconto de duplicatas variam de 1,65% a 3% ao mês dependendo do volume negociado e do limite de risco, mais as taxas de serviço e manutenção. Mesmo oferecendo taxas mais competitivas, segundo o diretor comercial da Vector Factoring, os critérios adotados pelos bancos têm forçado pequenos empresários a buscar crédito onde há mais facilidade, mesmo as taxas mais altas. ?Os clientes procuram não somente agilidade na liberação dos recursos, como também exigem atendimento personalizado?, diz Villar. ?E nós procuramos oferecer os dois?, complementa.