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Confus�es partid�rias atrasam come�o da campanha e prejudicam empresas

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PATRYCIA MONTEIRO O imbróglio que marcou o começo das eleições em Maceió não apenas confundiu o eleitor, como adiou o calendário de trabalho das empresas fornecedoras de brindes, serviços gráficos e publicitários na capital. Este ano, a eleição, do ponto de vista comercial, está começando com um mês de atraso. ?E esse mês que passou pode ser considerado perdido, já que o volume maior de encomendas, típicas deste período, ainda não aconteceu?, diz Miguel Pierre, diretor-comercial da Grafimarques, uma das maiores gráficas de Maceió. ?Este ano, até o candidato da situação, o Alberto Sextafeira, teve sua candidatura questionada. Com tantas indefinições, de candidatos e de alianças, nenhum grupo pôde contratar nossos serviços?, explica Pierre. Perda de receita Dessa forma, as gráficas perderam um terço da receita habitual do período das eleições e ainda atrasaram o pedido adicional de papel também típico do período eleitoral. ?Com isso, já esbarramos em outra dificuldade, pois graças à grande demanda dos fornecedores, o produto ficou escasso no mercado, fazendo com que seu preço tenha subido cerca de 30%?, afirma Pierre. Os fornecedores a que se refere são empresas como a Ripasa, Klabin e Suzano, localizadas no sudeste do país, mas que mantêm representantes locais. Segundo Pierre, sua empresa nunca precisou funcionar 24 horas no período eleitoral, como muitas fazem no mercado. Nem precisou contratar pessoas para compor o quadro efetivo na época das campanhas. Mesmo assim, a gráfica, que existe há 10 anos, sempre teve uma média de 40% de incremento no negócio durante o período eleitoral. ?Entretanto, não fazemos diferenciação entre os clientes convencionais e os políticos?, afirma. ?Nossa prioridade é atender ao mercado?, completa. Inadimplência Animado com a aquisição de um novo equipamento ? uma rotativa ? que imprime em quatro cores e reduz o tempo de impressão, o diretor- comercial só desanima quando o assunto é a inadimplência dos políticos. ?A maioria das empresas já tomou calote?, conta. ?O quadro vem melhorando por causa da fiscalização da Justiça Eleitoral. Graças a ela, os candidatos que têm dívidas com seus fornecedores podem até ganhar as eleições, mas só assumem os cargos se estiverem em dia com as pendências?, explica. Contudo, para evitar possíveis dores de cabeça, na gráfica de Miguel Pierre só se aceitam encomendas políticas com pagamento à vista ou antecipado. Falta de carisma Sem observar os 40% de aumento na receita, advindos do período eleitoral, José Adilson da Silva, dono da confecção Puro Algodão, também reclama da falta de aquecimento dos negócios nestas eleições. Mas, na sua opinião, o pequeno número de encomendas também tem outra explicação. ?Este ano faltou carisma nos candidatos?, afirma. ?A disputa pela Prefeitura de Maceió está sem emoção. Por enquanto, acho que os próprios eleitores não estão querendo vestir a camisa de ninguém?, diz em tom de brincadeira, se referindo ao produto que mais comercializa no período de campanha: as camisetas. ?Em 2002, quando houve a eleição para o governo do Estado, em quatro meses eu vendi 50 mil camisetas?, conta. ?Até agora, só recebi encomenda para 5 mil peças?, compara. Com otimismo, o empreendedor acredita que, quando o Guia Eleitoral começar, os negócios vão aumentar de ritmo. Geralmente, no período que vai de julho a outubro, José Adilson da Silva contrata mais dois ou três funcionários temporários para reforçar a equipe fixa formada por três. Ele mesmo coloca a mão na massa para dar conta de todos os pedidos adicionais. Concorrência de fora Sua principal queixa em relação ao mercado sazonal político não é a inadimplência de alguns candidatos, que pode ser compensada pela alta rotatividade dos pedidos, mas sim a concorrência que sofrem os adesivos que fazem parte de seu portfólio de produtos. ?Quase 70% dos candidatos que compram preferem fazer as encomendas de adesivos diretamente com os fabricantes, que ficam no sul do país, ao invés de fazer conosco?, afirma. Na sua opinião, essa preferência se dá em função dos preços, que ficam mais competitivos quando comprados em quantidades acima de 10 mil metros. ?Os fabricantes podem vendê-los por R$ 3 o metro. Nós, que já compramos deles, temos de revender por R$ 5,50?, explica. Com 10 anos de experiência, o empresário atualmente terceiriza boa parte de sua produção. Fora do período das eleições, o carro-chefe da Puro Algodão deixa de ser as camisetas, para dar lugar às bolsas vendidas para organizadores de eventos. Segundo o publicitário Luiz Dantas, a entrada de novas empresas no mercado das campanhas políticas tende a reduzir cada vez mais os custos das eleições. ?É natural que com o passar do tempo aqueles conhecimentos que antes estavam restritos a um número pequeno de pessoas vá despertando o interesse de outros profissionais. Assim, com a experiência, novos nomes e empresas vão despontando, criando uma concorrência maior?. Na visão de Dantas, este mercado tem crescido e amadurecido junto com a própria democracia do país, que é recente.

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