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Elei��es incrementam neg�cios de empresas

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PATRYCIA MONTEIRO Há uma controvertida máxima na economia afirmando que tempos de guerra são tempos de prosperidade. Em terras pacíficas, como o Brasil, as únicas trincheiras que geram bons negócios surgem em tempos de eleição. Aqui, as lutas travadas se fazem no discurso democrático e em propagandas políticas, cujos arsenais se traduzem exclusivamente em forma de bandeiras, camisetas, filmes e impressos publicitários que incrementam o faturamento de micros, pequenas e médias empresas no período eleitoral. Na época de disputa política, pode-se dizer que se forma uma espécie de cadeia produtiva do voto, que traz um bom retorno financeiro para empreendedores dos segmentos de comunicação visual, gráficas, confecções, agências de publicidade, institutos de pesquisa, veículos de comunicação em geral e produtoras de vídeo. Isso gera ganhos indiretos para o comércio e outros prestadores de serviço, como locadoras de veículos, lojas de tinta e empresas de táxi ? inclusive empresas de táxi aéreo, que foram muito requisitadas na última campanha para o governo do Estado. Segundo estimativas de Luiz Dantas, publicitário e consultor de marketing político paulista, mas radicado em Alagoas há mais de vinte anos, somando os gastos de todos os candidatos envolvidos na última disputa política, realizada há dois anos, é possível que cerca de R$ 400 milhões tenham engordado a receita para estas empresas alagoanas. ?Este ano, as campanhas devem somar cerca de R$ 100 milhões em investimentos?, afirma Dantas, que também é professor de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Os custos das eleições municipais são tradicionalmente menores porque os candidatos se reportam a um público-alvo reduzido, por meio de canais de comunicação mais diretos. Só para se ter uma idéia, o horário eleitoral gratuito, na televisão, este ano só terá os candidatos de Maceió?, analisa. Mas na cadeia produtiva do voto, os profissionais mais bem remunerados ainda são raros aqui no Estado. Com honorários que podem chegar até a R$ 120 mil em uma eleição municipal, grande parte dos consultores de marketing político vem de outros estados, como no caso dos que encabeçarão as equipes de Cícero Almeida e José Wanderley Neto, que estão trazendo profissionais do Recife e de Brasília, respectivamente, para traçar suas estratégias de comunicação em Maceió. Com cifras orçamentárias declaradas na casa dos milhões, convém ao eleitor mais atento se perguntar: Quem paga a conta dos candidatos? ?Cerca de 95% dos custos de campanha são financiados pela iniciativa privada?, afirma Dantas. ?Como não há dinheiro novo na economia alagoana, imagina-se que no ano eleitoral as empresas redirecionem parte dos recursos que seriam investidos nas próprias empresas para as campanhas. É muito comum, inclusive, que a instituição destine aporte financeiro para mais de um candidato na mesma eleição?, conta. Ainda atento, o eleitor pode perguntar: Por que estas empresas deixam de investir nelas mesmas para aplicar seu capital a fundos perdidos na política? ?As empresas patrocinam as campanhas na tentativa de estabelecer uma maior proximidade com o poder, que pode render facilidades em futuros contratos, por exemplo?, diz Luiz Dantas, lembrando que nas últimas eleições presidenciais todos os bancos investiram nas candidaturas de quase todos os presidenciáveis simultaneamente. ?Por formar um segmento forte na economia de Alagoas, as maiores patrocinadoras das campanhas políticas no Estados são as usinas?, afirma o professor.

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