Economia
FESTAS JUNINAS AMPLIAM VENDAS NO MERCADO DO ARTESANATO
A pandemia da COVID-19 parou por dois anos as festividades juninas em Alagoas. Tanto as festas públicas como as privadas ficaram proibidas de serem realizadas neste período. O comércio sofreu com a queda nas vendas. Mas agora, o momento é de aproveitar a retomada da maior festa do Nordeste.
No Mercado do Artesanato de Maceió, localizado no bairro da Levada, parte baixa da cidade, os comerciantes afirmam que a procura tem acontecido desde o final de abril e vem se intensificando cada vez mais.
Trabalhando no local há mais de 20 anos, a comerciante Cláudia Alves, comemora a chegada das festas juninas e conta como tem sido um alívio ver que os vestidos e adereços têm sido procurados e vendidos com bastante frequência. “Esse ano, as vendas estão perfeitas. A demanda está muito grande e vai melhorar ainda mais porque vamos ter festa junina e é bom para quem está curtindo a festa e para nós comerciantes que aproveitamos o momento para vender, afirmou Cláudia Alves.
A comerciante também contou como a pandemia foi um momento triste e difícil. “Aqui (o mercado) ficou fechado, foi triste para todos nós, um momento muito difícil para vender”. Cláudia falou que a preocupação agora é que falte material para a confecção das roupas típicas, como aquelas feitas a partir de estampas xadrez e chita, o que afetaria as vendas, mas a vendedora segue confiante.
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E para aqueles que estão buscando novas roupas para aproveitar as festas que estão previstas para acontecer neste mês, o valor dos itens são considerados bons, é o que afirma Luciete da Conceição, comerciante que já garantiu o vestido de sua neta. “Ela vai fazer uma apresentação na escola. Os modelos estão bonitos e o preço está bom. Vale muito a pena”, concluiu a consumidora.
COSTUREIRAS FATURAM
Os prejuízos com a pandemia também chegaram às costureiras que trabalham com itens juninos, como vestidos matutos. Elas amargaram prejuízos, já que muitas trabalham com produção própria e a maioria dos clientes são mães em busca dos acessórios para festas escolares, que também não foram realizadas nos últimos anos.
Em 2022, graças a diminuição nos casos e mortes relacionados ao novo coronavírus, elas comemoram a volta pela procura da costura tradicional. Em muitos locais, as costureiras já não conseguem mais receber pedidos.
“Apesar de trabalharmos com diversos tipos de roupas, no período da pandemia, nossa demanda na confecção de roupas juninas foi nula, então foi um âmbito que não tínhamos muita expectativa. Porém, surpreendentemente, após o anúncio do São João da Capital e o retorno dos festejos juninos em Alagoas, o fluxo de encomendas para esse período foi tanto que não temos mais vagas para esse mês de junho, estamos trabalhando para colégios e clientes que querem garantir a sua roupa personalizada para o festejo. Na produção, o nosso ritmo não para!”, conta a costureira Carla Costa, esperando que o faturamento supere o período pré-pandemia.
Já a aposentada Anamélia Aragão conta que sempre gostou de criar peças e costura-las. Depois de anos sendo bancária, ela viu na costura um meio de se manter ativa. No período da pandemia, ela disse que, assim como aconteceu com várias costureiras, deu uma parada nas produções de roupas e começou a confeccionar máscaras. Para este ano, ela já não tem mais vagas.
“No primeiro ano de pandemia comecei a confeccionar máscaras. Depois chegou o São João e começou a história de mesversario dos bebês e fiz muito. No ano da pandemia, eu trabalhei mais que 2019, tudo por causa desses mesversários que as mães amam fazer. Este ano, as reservas começaram no mês de abril, mas muitas mães deixam tudo para cima da hora. A grande maioria dos pedidos são para festas juninas nas escolas. Todos os dias rejeito até 10 pedidos porque não dou conta de tudo”, conta.
A média dos vestidos feitos por ela é de R$ 180 a R$ 200 para roupas de bebês e para crianças mais velhas pode variar de R$ 350 a R$ 500. Os vestidos criados pela aposentada fazem tanto sucesso, que os pedidos vêm de outros estados. Até o momento, ela já confeccionou 50 vestidos. “Tenho clientes fiéis, que me acompanham desde que a criança nasceu. Como tenho clientes que são seguidores. Optei por trabalhar com crianças e escolho todo material com o cuidado com meu cliente. É muito amor envolvido e faço como se fosse pra minha família. Esse ano fiz e enviei os vestidos para Campinas, pra outra cidade no Espírito Santo”.
A divulgação por meio das redes sociais ajuda a alcançar um maior número de clientes. “Sou muito assediada por crianças influenciadoras. As redes sociais me ajudam a divulgar. Essa divulgação é natural, quando você faz um bom trabalho”, afirma.
Se não fosse a falta de mão de obra qualificada para o trabalho, ela conta que daria para pegar uma maior quantidade de pedidos. “Mão de obra é uma coisa difícil, não existe costureira. Pode até encontrar, mas não que faça um bom trabalho. Precisaria de mais duas pessoas para dar conta de toda a demanda. Hoje só tenho uma pessoa que me ajuda três vezes na semana”.