Economia
Cooperativas viram alternativa a bancos comuns
CRISTINA LIMEIRA A estabilidade econômica que pôs fim ao ciclo inflacionário no país, nos últimos dez anos, favoreceu o desenvolvimento de setores voltados para a captação de poupança interna, a exemplo das cooperativas de economia e crédito mútuo. Em Alagoas, na última década, os negócios com os cooperados cresceram significativamente, tornando-se uma alternativa em relação aos oferecidos por bancos comuns para vários profissionais de nível superior. Esse crescimento se deve à adesão ao sistema cooperado de categorias específicas, a exemplo de profissionais de saúde, policiais federais e contabilistas, atraídos por taxas mais competitivas e rentáveis para empréstimos e investimentos do que as oferecidas pelos bancos múltiplos. Para as cooperativas essas vantagens são possíveis de ser oferecidas em função da baixa inadimplência e do menor custo pela captação e com menos liquidez. Além de contar com taxas de juros mais vantajosas, prazos maiores e menor burocracia, as cooperativas de crédito ainda dividem com os seus cooperados as sobras acumuladas no fim de cada exercício financeiro. Objetivo Criadas com o objetivo de oferecer assistência financeira e prestar serviços a seus associados, por meio da ajuda mútua, da economia sistemática e do uso adequado do crédito, as cooperativas de crédito no Estado têm cada vez mais inovado no atendimento a seus cooperados e investido em tecnologias e produtos para atrair novos sócios interessados em fazer investimentos. As cooperativas são normatizadas e fiscalizadas pelo Banco Central (BC) e oferecem diversos serviços a exemplo de conta corrente com cheque especial, empréstimos e financiamentos a taxas de juros entre 1,5% e 2,5%, cartão de crédito corporativo com custo zero, além da participação nos lucros da empresa, rateados proporcionalmente entre os cooperados de acordo com a movimentação bancária de cada um. Das sete cooperativas implantadas no Estado, uma das que mais se desenvolvem é a Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Profissionais de Saúde de Nível Superior de Alagoas (Unicred), que, em 12 anos de atuação no mercado, já soma 2,3 mil associados, movimentando cerca de R$ 25 milhões por mês. A Unicred Alagoas foi concebida em setembro de 1992 por um grupo de 21 médicos e a trajetória de sucesso da empresa, conforme conta o atual diretor-presidente, Alex Lins Barbosa, foi marcada por altos e baixos por causa da falta de conhecimento técnico da diretoria e de informações por parte dos associados. A Unicred cresceu gradativamente ao longo dos anos, mas teve impulso maior em 2000, quando obteve autorização do Banco Central para abrir seu quadro social a todos os profissionais de saúde de nível superior. A empresa, que na ocasião contava com 1, 2 mil médicos associados, viu esse número saltar para 2, 3 mil profissionais diversos, quantidade ainda considerada pequena diante do universo de 30 mil profissionais potenciais. Atualmente, de acordo com Barbosa, mesmo com a restrição imposta pelo BC às cooperativas, aumentando a provisão para crédito de liquidação duvidosa por níveis de risco, a Unicred vem obtendo bom desempenho operacional e continua expandindo sua área de ação. A empresa está sediada no bairro de Mangabeiras e possui postos de atendimento no bairro do Farol, em Arapiraca e em Palmeira dos Índios. A empresa, que com outras 30 singulares é filiada a uma Central de Cooperativas de Crédito Mútuo, vem obtendo mês a mês a segunda melhor performance no ranking Norte/Nordeste. O ranking é emitido pela central que analisa a saúde financeira das cooperativas singulares de acordo com o tamanho, evolução, desempenho e risco de cada uma. Para se tornar um cooperado, o associado investe um capital inicial de R$ 200, mais uma taxa que é paga mensalmente no valor de R$ 60. Essa taxa pode ser maior de acordo com as necessidades e interesse do associado em reaver esse dinheiro corrigido, com taxas competitivas. Além da pessoa física a cooperativa também atende a pessoa jurídica, desde que tenha atividade correlata à área médica. A quota parte de cada cooperado e faz parte do capital social da empresa - hoje avaliado em R$ 10 milhões - e só pode ser resgatada em caso de morte ou de desistência do associado.