Economia
Copom mant�m juro em 16% pelo quarto m�s consecutivo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 16% ao ano. Esse é o quarto mês seguido no qual a taxa fica inalterada. Depois de reduzir os juros em dez pontos percentuais no segundo semestre do ano passado, o BC adotou uma postura mais conservadora. Este ano, a Selic foi alterada somente em duas ocasiões. Em março, quando caiu 16,50% para 16,25% e em abril, quando chegou aos atuais 16%. A manutenção dos juros foi motivada, principalmente, pela ameaça de alta da inflação e pela incerteza em relação ao petróleo e aos juros nos EUA. Além disso, vários indicadores econômicos mostram uma retomada no crescimento da economia brasileira, apesar de a taxa de juros ainda ser alta. A decisão foi tomada após a reunião mensal do comitê, nestas terça e quarta-feira, e ficou dentro da expectativa do mercado financeiro. Já as entidades ligadas à indústria, ao comércio e os sindicatos queriam que o BC reduzisse a taxa. O próximo encontro do Copom será nos dias 14 e 15 de setembro. Os economistas prevêem que a Selic deve permanecer no atual patamar até o fim do ano, segundo uma pesquisa realizada pelo próprio BC com várias instituições financeiras. Na ata da última reunião, o BC não descartou, no entanto, a possibilidade de aumentar os juros, caso julgue necessário. Os três principais fatores que pesam sobre a taxa Selic são a inflação, o risco-país e a taxa básica de juros dos EUA. Sempre que um desses fatores está em alta, a tendência é que os juros no Brasil fiquem inalterados ou até subam. Em relação à inflação há pelo menos duas preocupações. Os reajustes de tarifas de luz, telefone, pedágio e água e esgoto pressionaram os índices de preços ao consumidor, em especial o IPCA, que é utilizado pelo governo como meta de inflação. A expectativa do mercado é de uma inflação acima de 7%, contra uma meta de 5,5% com uma ?margem? de mais 2,5 pontos (até 8%). A segunda preocupação é com uma forte retomada do crescimento, que pode alimentar a inflação e obrigar o governo a colocar um novo freio na economia. O BC já afirmou várias vezes que só vai admitir um crescimento que se mostre ?sustentável? ao longo do tempo.