Economia
Governo prev� cria��o de 10 milh�es de empregos
Otimista com os últimos dados sobre o nível de emprego, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse, na última sexta-feira, que não há nenhum obstáculo que impeça o cumprimento ou até mesmo a supe-ração da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar 10 milhões de postos de trabalho durante seu mandato. ?Nada é impossível, quando no começo do ano eu falei que poderíamos gerar 1,3 milhão de empregos formais até dezembro, muitos duvidaram. Portanto, nada é impossível, vamos trabalhar para gerar o máximo possível, quem sabe superar a meta presidencial?, afirmou Berzoni a jornalistas após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O ministro baseou seu otimismo nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostram que até julho foram criados 1,237 milhão de postos. A meta até o final do ano foi elevada de 1,3 milhão para 1,8 milhão de empregos. Segundo ele, o país vai encerrar o ano com uma taxa de desemprego de um dígito. O último dado disponível, divulgado pelo IBGE, mostrou uma taxa de 11,7 por cento em junho. Apesar de falar em números gerais, Berzoini procurou enfatizar que os esforços do governo estão concentrados na criação dos postos necessários para acolher jovens e resgatar desempregados e subempregados ao mercado de trabalho. ?O governo está feliz porque conseguiu criar um cenário amplamente positivo, mas sabe do estoque de injustiça social que foi deixado e estamos operando para reduzir esse estoque?, afirmou o ministro. Berzoini responsabilizou o governo anterior por ter deixado uma ?tendência nefasta? no mercado de trabalho com a elevação, durante os oito anos da administração Fernando Henrique Cardoso, da taxa de desemprego em 3 a 4 pontos percentuais acima do que o ministro chamou média histórica. Reforma sindical Ainda durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Berzoini, disse que a reforma sindical está prestes a ser enviada ao Congresso. Ele, que é ex-sindicalista (foi presidente do sindicato dos bancários de São Paulo), criticou duramente o atual modelo de sindicatos. Segundo o ministro, a Constituição e a legislação complementar criaram ?reservas de mercado e cartórios de contribuições compulsórias que sustentam um modelo sindical absolutamente inadequado para a democracia?. ?Podemos dizer hoje, com tranqüilidade, que o Brasil não tem liberdade e autonomia sindical?. Depois da vitória no Supremo Tribunal Federal (STF) na questão da contribuição dos inativos, o governo avalia que está aberto o caminho para modificar benefícios considerados por alguns como direitos adquiridos, o que permite o envio das reformas sindical e trabalhista para o Congresso. O STF autorizou a cobrança dos inativos na quarta-feira. Antes da decisão, o entendimento era que os inativos tinham ?direito adquirido? de não serem cobrados. Hoje, Berzoini disse que o governo vai tratar da questão das reformas trabalhistas ?sem medo de enfrentar tabus?. Ainda de acordo com ele, ?os direitos fundamentais do trabalhador não estão em discussão na sua legitimidade?. Após seu discurso, Berzoini disse que a reforma trabalhista precisa ser feita por uma questão de racionalidade. ?O país está crescendo. Não temos pressão por fazer isso por qualquer motivo de crescimento, mas por uma questão de racionalidade, de encontrar formas mais modernas de gerir a relação de trabalho?.