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Melhoramento gen�tico de cana cresce em AL

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PATRYCIA MONTEIRO No capitalismo moderno, o capital de risco de grandes grupos empresariais financiou o surgimento de novos negócios que revolucionaram a tecnologia, e porque não dizer o modo de pensar da humanidade. Assim surgiram empresas como a Microsoft, por exemplo. Quando a Votorantim resolveu apostar parte de seu capital de risco, abriu seus olhos para a área de biotecnologia, mais especificamente no melhoramento genético de cana-de-açúcar. E para tocar essa nova empresa, que não tem pretensão de dar lucro a curto prazo, o grupo escolheu um descendente de japoneses, Sizuo Matsuoka, para assumir a direção de um negócio cuja visão de futuro e paciência necessárias são dignas de um oriental. Com apenas um ano de existência e quatro unidades de pesquisa ? duas em São Paulo, outra no Paraná e uma em Maceió ?, a CanaVialis nasceu para atuar empresarialmente em uma área até então explorada pelas universidades, que não visam lucros e têm foco apenas na pesquisa. Apesar do aporte financeiro de R$ 25 milhões a serem investidos pela Votorantim Ventures ao longo dos cinco primeiros anos, não se pode afirmar que a CanaVialis entrou agressivamente no mercado. ?Nosso plano de negócios só começa a valer a partir do ano que vem?, diz o engenheiro agrônomo Matsuoka, que foi professor da Universidade de São Carlos, em São Paulo. Com faturamento pequeno, a CanaVialis está fechando seus primeiros negócios e tem como clientes o Grupo Santa Terezinha do Paraná, formado por cinco usinas. Para os paranaenses, foram vendidas as primeiras mudas de cana-de-açúcar geneticamente melhoradas. ?Em nossos laboratórios, reunimos em uma única planta o que há de melhor nas mais diversas variedades de cana. Tudo vai depender de quais características precisam ser desenvolvidas para aquele produtor específico, considerando o lugar onde ele produz?, explica. De acordo com Matsuoka, as plantas melhoradas geneticamente são mais resistentes às doenças, pragas e intempéries climáticas, dispensando o uso de defensivos químicos, barateando assim os custos de produção. ?Com as plantas geneticamente melhoradas, há 30% a mais de rendimento agroindustrial?, defende Matsuoka. Em Maceió, a CanaVialis tem uma estação de hibridização situada no bairro de Ipioca, com galpões e laboratório. Com 95 hectares de áreas, dos quais apenas 30 hectares são cultiváveis, a fazenda contém mais de mil variedades de cana-de-açúcar das quais são recolhidas sementes que são germinadas para, em seguida, serem levadas para o campo. Parte destas sementes vai para os laboratórios de biologia molecular e fitopatologia, em Campinas. Na unidade alagoana, quinze profissionais, entre eles, um agrônomo e dois técnicos agrícolas, desenvolvem o trabalho de pesquisa e cultivo. Aqui, foi desenvolvida uma tecnologia de plantio em um sistema de bancadas e de irrigação semelhante a uma névoa fina que molha as plantas com uniformidade e delicadeza. ?Adotamos esses cuidados para não danificar a planta?, frisa Sizuo Matsuoka. Embora esteja situada no Estado que é o maior produtor de cana-de-açúcar, a CanaVialis não vai partir em busca de clientes alagoanos nessa fase inicial. ?Queremos nos dedicar mais à pesquisa neste momento?, afirma o executivo. Mas, no futuro, a CanaVialis pretende ampliar sua linha de atuação fornecendo não apenas mudas para plantadores de cana; a empresa quer atuar no ramo de assessoria técnica indicando quais são as variedades mais adequadas para o produtor, ensinando também as melhores técnicas de manejo. Para os que duvidam do potencial de seu negócio, o executivo nisei tem fortes argumentos. ?O alto custo do petróleo vai colocar o Brasil, que é o maior produtor de álcool do mundo, na linha de frente no mercado internacional. O que o país precisa é criar uma base sólida de desenvolvimento e pesquisa para colher os frutos deste investimento?, reflete. Universidade Com 14 anos de pesquisa dedicadas ao melhoramento genético da cana-de-açúcar, o Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) atende à demanda local dos produtores, mas também atende ao mercado do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco e Sergipe. Sem fins lucrativos, ela recebe verbas dos produtores para desenvolver suas pesquisas. Recentemente, os pesquisadores da Ufal receberam um aporte financeiro de R$ 1 milhão dos produtores de cana-de-açúcar alagoanos, que em troca receberão sua plantas melhoradas geneticamente. ?Temos mais de 2,5 mil hectares de áreas cultivadas com nossas plantas e 55 variedades de cana liberadas para os produtores do país?, celebra Geraldo Veríssimo, professor do Centro de Ciências Agrárias da Ufal. ?Recebemos royalties com a tecnologia que desenvolvemos?, conta. A fazenda onde são desenvolvidas as pesquisas e cultivos fica em Murici e tem 30 hectares de terra. Veríssimo diz que, além da Ufal e da CanaVialis, em São Paulo, há ainda a Copersucar atuando na mesma área. Mas o professor não os encara como concorrentes. ?O mundo inteiro está investindo em fontes alternativas de energia. Esse mercado vai crescer tanto daqui para frente que vai ter espaço para todo mundo?, afirma.

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