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BNDES quer solucionar crise da Varig dentro de 50 dias

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A crise financeira da Varig, a mais tradicional companhia aérea brasileira, deve ser equacionada nos próximos 50 dias, segundo avaliação do presidente do BNDES, Carlos Lessa. A empresa enfrenta sérios problemas financeiros. Pelos cálculos da Infraero, dois terços da dívida da Varig são com a União: INSS, Fazenda, BNDES, Banco do Brasil, Petrobras e a própria Infraero. ?Eu acho que o governo vai agir?, disse Lessa. Na avaliação dele, nenhum grupo privado do Brasil tem capacidade para enfrentar ?o tamanho do problema?. Para Lessa, a Varig é muito importante para o sistema aéreo brasileiro, pois é responsável por 30% dos vôos internos e por aproximadamente 87% dos vôos internacionais. ?A companhia gera US$ 1 bilhão para o país em receitas. É um nome brasileiro pelo mundo. Nenhum governo assiste a uma coisa dessas sem perder noites de sono, e tem de trabalhar a coisa pragmaticamente?, disse. Ou seja, de acordo com Lessa, o governo precisa fazer o que for necessário para resolver a questão da Varig. Segundo ele, se o caso não for resolvido, há risco de colapso no sistema aéreo brasileiro. Isso porque, explicou Lessa, se a Varig deixar de operar, poderá perder a autorização de aterrissagem e decolagem em aeroportos internacionais. ?Todos os aeroportos do mundo têm uma fila de empresas pedindo autorização para aterrissagem e decolagem. Se uma companhia deixa de usar a autorização, o aeroporto a repassa para outra companhia. Aí, demora mais de um ano, negociando com dificuldade, para obter uma nova autorização.? Segundo o balanço da própria companhia, o seu patrimônio está negativo em mais de R$ 6 bilhões. A Varig pede no Superior Tribunal de Justiça indenização por perdas causadas pela política de congelamento de tarifas da década de 80. A solução dessa pendência jurídica deve ajudar o governo a chegar a uma decisão sobre o processo de salvamento da Varig. Mesmo que ganhe a indenização, no entanto, a empresa continuará sem condições de sobreviver sem a ajuda oficial. O que a Varig receberia do governo, caso vença o processo, seria um pouco mais do que ela deve à União em impostos e contribuições federais, o que reduziria seu endividamento para cerca de R$ 3 bilhões. Fundação Na sexta-feira, o presidente da Infraero, Carlos Wilson, afirmou que a solução para a crise da Varig passa pela saída da Fundação Ruben Berta do controle da empresa. ?Quem vai querer comprar a Varig tendo a fundação como controladora? Quem deixa um rombo de R$ 6 bilhões não demonstra eficiência administrativa?, disse ele. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Fundação Ruben Berta informou que só se pronunciará quando houver um comunicado oficial do governo sobre a solução para a empresa. Ele descartou a hipótese de estatização, mas admitiu que o governo poderá assumir a administração da empresa, temporariamente, com o objetivo de prepará-la para ser vendida.

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