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Agricultura ocupa �rea deixada pela pecu�ria

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A pecuária está perdendo espaço, literalmente, no País. Ao mesmo tempo em que a produção de carnes cresce, diminui a área com pastagens. E quem ganha com isso é a agricultura. Os preços das commodities, que incentivaram a produção de grãos, a maior rentabilidade econômica da agricultura sobre a criação de gado e o ganho de produtividade na pecuária, que não necessita mais de grandes espaços, explicam a expansão da agricultura nas áreas de pasto. E a tendência, segundo analistas, é continuar essa reversão por alguns anos. De acordo com levantamento da Embrapa Gado de Corte, nos últimos dois anos houve um repasse de 4,9 milhões de hectares da pastagens para os grãos e apesar disso o rebanho cresceu no ano passado 4,6%. Estudo da Scot Consultoria mostra que entre 2001 e 2003, a área de pastagem diminuiu 2,74%, com maior variação no estado do Paraná (17%). A previsão é que, em 2005, os pastos tenham 171 mil hectares, ou 2,5% a menos do que hoje. ?Fora do cerrado, a agricultura cresce no pasto nativo ou plantado?, diz Daniel Dias, analista da FNP Consultoria. Segundo ele, existem hoje aproximadamente 120 milhões de hectares a serem aproveitados, sendo metade no cerrado e o restante, de pastagens. Para o pesquisador Luiz Roberto S?Thiago, da Embrapa Gado de Corte, nos últimos anos a pecuária vem cedendo área de pastagem para a agricultura por conta de sua tecnificação. Prova disso, segundo ele, é o fato de o rebanho neste período ter aumentado. ?Com tecnologia, adubação de pastagens e suplementação alimentar é possível colocar mais animais em uma mesma área?, afirma. Além disso, o pesquisador acrescenta que cada vez mais o produtor precisa abater o animal mais cedo, o que exige mais tecnologia. Para S?Thiago, outro motivo da troca é o fato de em regiões como o Sudeste a terra ter valorizado muito, ficando caro produzir gado. ?A agricultura tem retorno mais rápido?, afirma o pesquisador da Embrapa. Migração de rebanho ?Os dados mostram aplicação de tecnologia e também que está havendo migração de rebanho para o Norte do País?, diz Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. No entanto, segundo ele, essa tendência pode se tornar um problema, pois a logística e infra-estrutura de frigoríficos não está acompanhando esse crescimento e o solo pode não suportar a quantidade de animais. Na região de Bagé (RS), tradicional pela pecuária extensiva, a área de soja já ocupa 25 mil hectares, segundo a Embrapa Pecuária Sul. No entanto, o pesquisador Jocely Portela diz que o solo da região é próprio para a pastagem e que, em função da decadência da pecuária de corte na localidade - devido à concorrência como o Centro-Norte do País -, para aproveitar os campos nativos os produtores poderiam criar ovinos, cujo impacto no solo é menor. Ele acredita também que se fizer integração da pecuária com a lavoura poderá reduzir os riscos de degradação do solo. No en-tanto, segundo ele, sorgo e arroz seriam as culturas mais ade-quadas para a região. De acordo com o consultor da BM&F no Centro-Oeste, João Pedro Cutri Dias, no ano passado, a soja aumentou em 300 mil hectares a área cultivada e basicamente utilizou antigas pastagens degradadas. ?A inten-sidade desta mudança vai variar com a rentabilidade dos grãos?, afirma. Segundo ele, no sul de Mato Grosso do Sul, muitos pecuaristas estão arrendando suas terras para agricultores. No município de Maracaju (MS), a área de agricultura já é maior que a de pecuária. Em 1997 existiam 350 mil hectares com pastagem e 75 mil hectares com soja. Hoje, a situação se inverteu: 210 mil hectares de soja e 190 mil hectares de pasto. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Eduardo Corrêa Riedel, enquanto neste período os preços das commodities estiveram em alta, os da pecuária mantiveram-se estáveis.

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