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“Crescimento n�o significa inclus�o social”

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RODRIGO CAVALCANTE Os dados que apontam Alagoas como o pior Estado brasileiro no Índice de Desen-volvimento Humano, divul-gados pela ONU, não são ne-nhuma novidade para o economista Alexandre Barbosa, pesquisador da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo. Alexandre é um dos autores do Atlas da Exclusão Social no Brasil Volume 2, fruto de uma das mais importantes pesquisas já realizadas sobre a desigualdade no país lançado em junho do ano passado pela Editora Cortez. Apesar de o atlas também usar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) como base de suas pesquisas, o livro leva ainda em consideração outros dados para medir a chamada exclusão social, como o Índice de Vulnerabilidade Juvenil ? que revela o grau de exposição dos jovens à criminalidade. Do seu gabinete na Prefeitura de São Paulo, Alexandre falou com exclusividade à GAZETA sobre a pesquisa e explicou por que, apesar do alto nível de exclusão social, o índice de violência no Estado ainda é menor do que em outras regiões mais ricas do país ? o que segundo ele, infelizmente, não deve durar muito tempo, como os alagoanos já estão percebendo com a recente escalada de seqüestros relâmpagos e assaltos no Estado. - O atlas sugere que Alagoas, assim como outros Estados do Nordeste, é vítima da velha exclusão social. O que é, afinal, essa velha exclusão? - A velha exclusão social é aquela gerada predominantemente pela pobreza no campo e está associada a altas taxas de analfabetismo, mortalidade infantil, enfim, o velho legado da pobreza que tem sua origem desde o sistema escravista. Essa exclusão é diferente da chamada nova exclusão social, mais visível nas grandes metrópoles, que é fruto da estagnação produtiva das regiões mais industrializadas do país. Isso não significa que a velha exclusão, como no caso de Alagoas, seja pior do que a nova exclusão. Elas são apenas diferentes. Cidades marcadas pela nova exclusão, como São Paulo, por exemplo, são geralmente mais violentas do que aquelas onde predomina a velha exclusão. - Isso explicaria por que, mesmo tendo um dos piores indicadores sociais do Brasil, a violência em Alagoas, pelo menos segundo o Atlas, ainda seria menor do que a dos Estados mais ricos? - Provavelmente sim. O fato é que nem sempre é possível traçar uma correlação direta entre pobreza e violência. Há muitos outros fatores que colaboram para o aumento da criminalidade. Um deles é o número de jovens sem trabalho que se tornam vulneráveis ao crime nas grandes cidades. Outro fator é a convivência de acampamentos de riqueza lado a lado com bolsões de miséria. Um trabalhador agrícola alagoano que saiu do interior e se transformou num pedinte em Maceió talvez seja menos vulnerável ao crime do que o seu filho, que já nasceu na rua dentro da nova exclusão social. - Como assim? - É que mesmo os Estados predominantemente agrícolas, como Alagoas, têm em suas metrópoles acampamentos de riqueza que convivem lado a lado com bolsões de miséria, o que é uma característica da nova exclusão social. E quanto mais essas regiões se desenvolverem de maneira desigual, mais elas vão ficar parecidas com as cidades onde predomina a nova exclusão. Inclusive no quesito violência urbana. - Isso quer dizer que os alagoanos, daqui para frente, terão que conviver inevitavelmente com uma escalada de violência urbana? - Não me arriscaria a fazer uma previsão tão enfática sobre o futuro do Estado. Até mesmo porque não é possível separar o desenvolvimento de Alagoas do desenvolvimento do resto do país. De qualquer forma, é mais fácil combater a velha exclusão do que a nova, já que a velha exclusão pode ser enfrentada com ações básicas como educação e saúde. A nova exclusão é bem mais difícil de ser combatida, já que esses mecanismos não são suficientes. - Em que o Índice de Exclusão Social difere do Índice de De-senvolvimento Humano (IDH)? - O IDH foi uma verdadeira revolução para medir o desenvolvimento humano em todo o mundo. Mas ele não leva em conta outros fatores de exclusão social, como, por exemplo, o Índice de Vulnerabilidade Juvenil, que revela o grau de exposição dos jovens à pobreza e à violência. Se esses indicadores fossem aplicados mundialmente, a colocação do Brasil provavelmente seria ainda maior do que a colocação no ranking do IDH. Nossa equipe hoje está exatamente fazendo isso: aplicando os indicadores de exclusão social ao resto do mundo, para ver como ficará também a situação do Brasil. Esse trabalho deve ser publicado em breve. - Não há, então, nenhuma notícia boa para os alagoanos? - Os dados mostram que de 1960 a 2000, houve uma melhora em diversos indicadores sociais no país. Entre 1980 e 2000, por exemplo, os indicadores do Nordeste chegaram a avançar mais do que os do Sudeste, inclusive em Alagoas. Mesmo assim, a exclusão social ainda é enorme, tanto entre os Estados do país quanto entre os municípios. Mesmo que Alagoas cresça economicamente, a exclusão social pode permanecer alta se não houver distribuição de renda. Nesse caso, o Estado pode estar trocando a velha exclusão social pela nova.

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