Economia
Pior IDH afasta investimento em Alagoas
PATRYCIA MONTEIRO Para efeito elucidativo, é necessário dizer que o Índice de Desenvolvimento Humano vai de uma escala de 0 a 1. Nenhuma nação no mundo alcançou o patamar integral do IDH. O país com maior IDH é a Noruega com 0,942 de resultado. Em seguida, vem a Suécia com 0,941. Quanto mais próximo de 1 chegar o resultado da média obtida com os indicadores sociais de uma população, mais desenvolvida ela é, segundo o índice do PNUD. A saúde é medida pela expectativa de vida ao nascer, a educação é contabilizada pelo nível de alfabetização e pelo número de crianças matriculadas nas escolas. O item renda, por sua vez, é medido pela riqueza total dividida pelo número de cidadãos da população. Ronaldo Lessa, contudo, não é o primeiro governador brasileiro a discordar do caráter atual dos números do IDH de seu Estado. José Reinaldo Tavares, do Maranhão, já fez o mesmo. Vale ressaltar que o IDH do Maranhão é o segundo pior do Brasil, com 0,647 de resultado (Alagoas é o pior, com 0,633). Por outro lado, os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são reconhecidos por organismos internacionais, como a ONU e instituições financeiras que baseiam seus projetos e investimentos no Brasil tendo como base o levantamento do Instituto. O IDH tem tanto respaldo no cenário econômico que, dependendo do seu nível, pode atrair ou não investimentos para uma determinada localidade. Quanto mais alto, mais propício é o cenário para implantação de novas empresas em um Estado, por exemplo. Com um IDH baixo fica mais fácil entender porque Alagoas não atrai investimentos, pois tendo em mãos os dados locais o empresário observa a ausência de três fatores importantes para favorecer os bons negócios: renda, mercado atrativo e qualidade de vida. Outros estados nordestinos apresentam melhores condições sociais, mercados consumidores maiores e mais infra-estrutura. Daí a disputa com outros estados ser tão difícil. ?Não devemos fazer comparações entre Alagoas e outros estados brasileiros, tendo como base seu Índice de Desenvolvimento Humano. Pois, com esforços iniciais grandes, para o Estado alcançar o patamar de desenvolvimento do Distrito Federal ? que é o maior do país ? teríamos 23 anos de atraso para serem equacionados?, diz Carlos Lopes, coordenador residente das Nações Unidas e representante do PNUD que esteve em Maceió onde fechou um acordo de cooperação técnica com o governo do Estado, quinta-feira passada. Lopes, que é cidadão de Guiné Bissau e Cabo Verde, e atuou como consultor da Unesco, afirma que, com um índice de 0,633, Alagoas entraria no 114o lugar do ranking mundial de desenvolvimento, podendo ser equiparado com a Bolívia e o Egito que ocupariam o 113o e 115o, respectivamente. Na sua opinião, a busca pelo desenvolvimento em Alagoas deve começar por um dos seus indicativos mais contundentes de subdesenvolvimento, o analfabetismo. ?Por ser um Estado formado por uma grande parcela da população muito jovem, Alagoas deve fazer fortes investimentos na área de educação para poder introduzir essa população no mercado produtivo?, afirmou. O acordo de cooperação técnica firmado com o PNUD consiste na orientação do organismo internacional em como poderiam ser direcionadas as políticas públicas na erradicação da pobreza. Essa parceria visa também dar apoio ao governo do Estado para captar recursos do orçamento federal e também financiamentos internacionais. ?Essa colaboração também pretende fazer estudos apurados sobre o Estado para identificar suas vantagens competitivas?, esclarece Carlos Lopes, mencionando que vantagens comparativas como belas paisagens e abundância de recursos naturais ? identificados em Alagoas ? não são mais suficientes na conjuntura econômica atual. Como vantagens competitivas são as oportunidades de negócios que podem ser identificadas no Estado. Essa parceria com o governo também foi firmada com a Bahia recentemente. O PNUD esteve envolvido em uma série de empreitadas relacionadas ao desenvolvimento brasileiro. Seus técnicos participaram da introdução da Internet no Brasil, da construção dos primeiros laboratórios da Embraer e dos primeiros projetos de hidrelétricas do país. A meta do Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento no Brasil na atualidade é a modernização fiscal dos estados brasileiros. ?Acreditamos que melhorando a arrecadação é possível gerar recursos para serem aplicados no desenvolvimento humano?, afirma Carlos Lopes.