Economia
Afinal, os indicadores de Alagoas melhoraram?
PATRYCIA MONTEIRO Esta semana, o governador Ronaldo Lessa recebeu a Comenda Senador Aurélio Viana oferecida pelo vereador Alan Balbino de seu partido, atual presidente da Câmara de Maceió. A manhã de segunda-feira, na Associação Comercial, transcorria em clima de homenagens, até que a coordenadora da Pastoral da Criança em Alagoas, Ivone Torres, fez críticas ao governo em relação aos índices sociais do Estado. Na visão de Ivone, a qualidade de vida dos alagoanos mais pobres evoluiu, mas de modo tímido durante a gestão do atual governador. A médica, que há 22 anos se dedica às comunidades assistidas pela organização ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acredita que os indicadores sociais do Estado poderiam ter melhorado de maneira mais significativa ao longo destes quase seis anos de governo. ?Fiz considerações construtivas, pois é inadmissível que crianças morram vítimas de doenças como pneumonia e diarréia?, explica. Na mesma cerimônia, Ivone Torres recebeu a Comenda Selma Bandeira por seus trabalhos sociais. ?O Estado mudou para melhor?, rebateu Ronaldo Lessa em sua própria defesa, argumentando que, no atual governo, foram criadas mais vagas no Ensino Médio do que em qualquer gestão do passado. ?Fizemos muito. E esse fazer está associado ao que se pode fazer. Reduzimos a mortalidade e, mesmo que tenha sido pouco, uma vida que se salve é muito?, refletiu. Ao longo dos anos, sempre que foi questionado sobre o desempenho das políticas públicas relacionadas às áreas sociais, Lessa relembra a ?herança maldita? deixada pelos antecessores que entregaram o Estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil (IDH) ? calculado a cada dez anos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada do Governo Federal com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). O IDH mede o nível de desenvolvimento de cidades, estados e países. Seu cálculo é formado por indicadores das áreas de saúde, educação e renda da população. De fato, em 1991, Alagoas tinha o pior IDH do Brasil, com resultado de 0,535 ? confirmando o argumento do governador sobre a ?herança maldita?. No levantamento seguinte, que data de 2000 (ver tabela), Alagoas apresenta 18,3% de crescimento de seu IDH. Entretanto, mesmo apresentando a melhor variação do país na época, o Índice de Desenvolvimento Humano alagoano continuou sendo o pior do país ? o que quer dizer que permanecemos como a unidade da federação mais subdesenvolvida do Brasil. Por outro lado, Ronaldo Lessa invariavelmente rejeita o cálculo recente do IDH porque ele está fundamentado no levantamento do IBGE que é realizado no espaço de uma década. O governador afirma que, com dados mais recentes, ele observa uma evolução mais adiantada do Estado. Nas próximas páginas, a GAZETA analisa um pouco da controvérsia em torno dos indicadores sociais no Estado.